Das marcas de bexiga que há no mercado, já usei quase todas no ímpeto de
aprender formas com balões, o que tem funcionado para criar vínculo com as
pessoas, especialmente as crianças, nas minhas intervenções de rua como mímico
em Campos do Jordão, onde fico “brincando” em diferentes locais dentro do
Boulevar Geneve que tem apoiado minha atividade por lá.
Realmente não tenho tido muita sorte quanto à qualidade dos balões, já que
estouram com facilidade.
Como será que aquele gringo do YouTube consegue esculpir uma flor de seis
pétalas com a bexiga sem estourar? Com certeza a bexiga de lá fora é fabricada
com um látex de qualidade superior...
Estou descobrindo uma série de mímicas que podem ser feitas enquanto tento
criar formas com bexigas, e isso dá lenha para as palhaçadas; teve uma vez que
fiquei um tempão tentando esculpir alguma coisa sem êxito, enquanto duas
pessoas — pai e filho adolescente — riam da minha cara o tempo todo... No fim,
chegaram perto de mim, me parabenizaram e ainda me deram uma grana...
Entre as formas mais comuns, a de coração funciona como moldura para as
pessoas tirarem fotos com cara de apaixonados.
Recebi pedidos dos mais excêntricos vindo das crianças menores de cinco
anos, tipo “faz um elefante”. Vejo os profissionais do gênero criarem formas
tão complicadas que pode até dar para criar um elefante. Ou então, “faz uma
cobra”, que é simplesmente encher o balão e amarrá-lo.
Certa vez, na minha tentativa de criar alguma forma, chega uma criança e
pede para eu esculpir um cachorro para ela. Depois de muito esforço, consigo
esculpir uma coisa parecida com o animalzinho e a menina vai embora feliz. Na
sequência aparece Miguel, um menino de cerca de quatro anos de idade, tentado
que só, correndo no meio do povo daqui para lá, com o pai desesperado na cola
dele, que, ao chegar perto de mim, pede para lhe entregar uma bexiga cheia para
ele esculpir a sua versão de cachorro. Retorce daqui, retorce de lá, faz um
círculo com um nó no meio e pronto. Entrega a bexiga para outro menino da sua
idade, que a recebe como se fosse o cachorro mais verdadeiro do mundo.
É isso mesmo, a arte do improviso é abstrata e flui por si própria, assim
como a imaginação da criança. O balão é só mais um ativador de sonhos...
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