São Paulo,
Vento frio,
Nas estações de trem e metrô,
Gente a ir e vir.
Passageiros que entram empurrando
Aqueles que querem sair.
Nos vagões apinhados
Raras gentilezas
Cada um no seu quadrado
Chamado de celular
No meio da indiferença,
Que predomina em geral
Vejo pessoas correndo
Atrás do vil metal
- Aceito cartão e pix.
Vamos lá, freguesia,
Antes que o rapa pegue a mercadoria.
- Seis pares de meias por dez reais
- Achei emprego e não recebi
- Vendo balas porque preciso
- O segurança não me quer aqui
“Relaxamente” é o nome da atividade da qual
participei na estação Osasco da CPTM, contratado pela unidade do SESC daquela
cidade. A minha parte consistia em interagir com o público que circulava pela
estação como mímico, chamando a atenção e convidando-o a participar de uma
experiência de meditação e aromaterapia ministrada por dois profissionais, na
qual as pessoas deitadas em tapumes, ficavam de tapa-olhos e com fones de
ouvido eram conduzidas por meio de áudio descrição a uma viagem de doze minutos
que os afastava da correria do dia a dia.
A meditação era tão boa que eu, após tê-la experimentado,
consegui vencer meu medo e “brincar” com as pessoas como de costume.
Na estação de trem
Independentemente da idade
Gente correndo, apressada
Não presta atenção em nada
Nem tanto
Lá no meio
Há um palhaço singelo
Que com seu olhar
Tenta prender a atenção dos transeuntes
Competindo com o celular
Passam trabalhadores, estudantes,
Aposentados, mendigos,
E cachorros vira-latas
E o palhaço a todos
Um sorriso, ele desata...
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