São Paulo,
Vento frio,
Nas estações de trem e metrô,
Gente a ir e vir.
Passageiros que entram empurrando
Aqueles que querem sair.
Nos vagões apinhados
Raras gentilezas
Cada um no seu quadrado
Chamado de celular
No meio da indiferença,
Que predomina em geral
Vejo pessoas correndo
Atrás do vil metal
- Aceito cartão e pix.
Vamos lá, freguesia,
Antes que o rapa pegue a mercadoria.
- Seis pares de meias por dez reais
- Achei emprego e não recebi
- Vendo balas porque preciso
- O segurança não me quer aqui
Na estação de trem
Independentemente da idade
Gente correndo, apressada
Não presta atenção em nada
No entanto
Lá no meio
Há um palhaço singelo
Que com seu olhar
Tenta prender a atenção dos transeuntes
Competindo com o celular
Passam trabalhadores, estudantes,
Aposentados, mendigos,
E cachorros vira-latas
E o palhaço a todos
Um sorriso, ele desata...
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