terça-feira, 16 de agosto de 2011

De que barrio sos...? Visita ao Teatro "Vento Forte" em São Paulo

Ilo Krugli, brincando com seu cachorriho "Raposa" no "Vento Forte"

De qual bairro você é? Essa é a pergunta que o mestre Ilo Krugli sempre me faz quando a gente conversa, cada cinco ou dez anos. Dessa vez fiquei sabendo mais sobre sua vida. Bom, ele nasceu em Buenos Aires, capital de Argentina que nem eu e "é" do bairro Puente Alsina, que aliás aparece em várias letras de tangos (eu sou do bairro Floresta). Ilo mora no Brasil a mais de quarenta anos e é escritor, bonequeiro,artista plástico, diretor de teatro, em fim, um grande mestre do "Teatro Popular" que fundou o grupo "Vento Forte" no Rio de Janeiro, onde ficou dez anos, antes de se mudar para São Paulo ha mais de trinta. A gente falou sobre os períodos militares em América Latina e ele me contou sobre sua passagem pelo Chile, após o golpe militar naquele pais e da  sua dificuldade para poder voltar ao Brasil . Eu lhe contei sobre meu espetáculo sobre Argentina e falamos sobre as "mães da Praça de Maio".
Ilo me trouxe a tona a figura do grande bonequeiro argentino Javier Villafañe e da influência deste no seu trabalho.
Eu aprendi nesses anos todos de "brincante popular" a respeitar aos "mestres". E quando um me faz referência de outro a reverência fica em dobro...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos"

Tomo emprestada essa frase de Wiliam Shakespeare e do meu amigo Pinotti para reafirmar que nossa missão como artistas é a de dar asas ás pessoas e não a de cortá-las...

Sinto-me um Cavaleiro – palhaço, andante, que enfrenta com sua simples burrinha de madeira uma poderosa Mercedes Benz ou uma Ferrari nas ruas de Campos do Jordão, com todo o simbolismo que isso representa.

Aprendi a sustentar minha postura na rua, mesmo quando o resultado não está sendo o que eu esperava.

Tenho “brincado” em baixo do sol da serra, protegido por farta quantidade de protetor solar.

Acredito firmemente em meio ambiente e em qualidade de vida,  por isso é que escolhi á bicicleta como meu meio de transporte.

carregando minhas bagagens junto com "meus sonhos" rumo a Campos do Jordão 06-08-2011


Sinceramente


-Estou me valendo de conhecimentos que me foram “doados” – e sou grato por isso – quando cursei a escola Klauss Vianna em São Paulo com a professora Neide Neves, em meados dos anos 90, aprendendo a “técnica do movimento consciente”.
Eu, que nunca tive como maior virtude a flexibilidade, acabei organizando uma série de alongamentos que me permitem estar em atividade, agora que a idade vai “chegando”.

- Tenho treinando música popular na minha flauta transversal, o que pelo exercício respiratório já vale à pena.

-Este blog está me servindo para treinar a escrita,  que eu acho um “barato”.


Em matéria económica, agradeço as pessoas por ter conseguido pagar quase todas minhas contas com o dinheiro que elas colocam espontâneamente no meu chapéu.

È claro que é bom quando pinta um cachê institucional e o trabalho da gente sai na midia, mas o fato de me apresentar sem vínculo me faz sentir mais livre para fazer as coisas do meu jeito.

Eu gosto do desafio de “ir” as ruas “com a cara e a coragem”...

Matéria do jornal Vale Paraibano, SJC - SP (2006)


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Espelho do Cotidiano...

É verdade que fico muito exposto brincando "no meio da rua" e que  nem sempre estou tão “inspirado”. Mas mesmo assim vou a luta, por uma questão de sobrevivência.

Gostaria de ter alguém como “cúmplice” filmando de perto as brincadeiras de mímica e editar as imagens eu mesmo, escolhendo os melhores momentos.

 Estou num estado de espírito bem calmo com minha maturidade e tal vez por isso entenda melhor o “palhaço”, deixando fluir, dando tempo ao tempo e me comunicando com crianças e adultos de um jeito leve..

E é por isso que fui escolhido junto a Jorge Peronelli e Roberval Rodolfo -atores da "minha" cidade - a participar das gravações realizadas no Hospital do Câncer  no filme Aparecida “O Milagre”,  no papel de um "Doutor da Alegria", pela minha experiência e pela sutileza do meu clown, que não precisa de texto para se comunicar.


Antes da filmagem, eu, Roberval e Jonatas Faro fazendo um jogo de descontração com as crianças

Também por isso fui convidado a participar de cinco dos últimos seis “Festivale” -Festival de Teatro do Vale do Paraíba – realizados em São José dos Campos, SP,  cidade onde eu moro.

 Sim, o palhaço brincando "no meio da rua" tem uma forte função social, independente de instituições, já que ele se comunica diretamente com as pessoas expressando um certo anseio coletivo de irreverência. No meu caso - como mímico - minha atividade serve de espelho do cotidiano, e sinceramente, eu acredito nesse tipo de "Teatro de intervenção"...


Junto a meu colega e amigo Nelio Fernando em performance na rua no dia da luta antimanicomial em SJC SP





terça-feira, 26 de julho de 2011

Andar, andando...

Parque da Cidade,  SJC - SP (foto de Flávia D'ávila)

 Preparo minha bicicleta para viajar para outras cidades, aproveitando que a “moçada” da empresa de ónibus “Pássaro Marrom”  me conhece. As aulas já estão ré-começando, portanto vou visitar escolas levando a proposta de apresentação do mímico andarilho usando a bike como transporte e cenário do espetáculo.
Pretendo realizar também minhas performances espontâneas nas ruas das cidades por onde eu passar e em São José dos Campos -  cidade na qual eu moro - já que acho super válido esse tipo de apresentação na qual se faz teatro do próprio "teatro" do cotidiano.
Deixo um link do youtube de um vídeo do meu colega mímico - chileno - chamado Tuga, brincando nas ruas do bairro da Recoleta em Buenos Aires, Argentina o qual acho "inspirador".

http://www.youtube.com/watch?v=S87uqpupXwQ

domingo, 17 de julho de 2011

Suando a camisa em Campos do Jordão...

Sim, por mais que tente melhorar meu figurino, ás vezes o importante é o lado prático da coisa. Coloquei uma gravatinha branca, mas acabou atrapalhando, já que eu levo pendurado o apito no pescoço, e este se tornou elemento fundamental para chamar a atenção na rua, especialmente no meio da multidão. Então vou de roupa neutra mesmo, e a burrinha acaba dando a cor quando a coloco. Outra coisa que deu certo é usar o amplificadorzinho preso a cintura colocando eu mesmo a trilha sonora para "brincar". Gostaria de ter registrado alguns momentos hilários da minhas "performances", especialmente as que aconteceram na rua na sexta feira e no sábado entre o restaurante "Gato Gordo" e o Shopping "Mark Plaza", a última sendo assistida pelo próprio João Dória Jr. e família.
Coisas da rua; nunca fui muito bom em matéria de figurino e maquiagem. Também nunca fui suficientemente experto em "rodar o chapéu". Sempre ganhei meu dinheirinho com muito suor, arrancando risadas do público.

Olhando para o céu, com os pés no chão e o chapéu na mão
Emerson fotografía  012-8127-0401

terça-feira, 12 de julho de 2011

Campos do Jordão, eu gosto de você...

Campos do Jordão, eu gosto de você; da tua paisagem, do teu ar, do friozinho nas madrugadas e nos dias nublados. Lugar mágico onde o clima muda rapidamente, assim como o ânimo das pessoas. Pico da Serra da Mantiqueira, acima do Vale do "Paraíba" e de São José, cidade onde eu moro. Eu já brilhei muitas vezes nas tuas ruas e ainda - "as vezes" - continuo brilhando...

Manhã de inverno

Campos do Jordão, lugar de contrastes. Desde a chegada, do lado esquerdo  da estrada se vê o morro e a gente pobre que em ti mora e trabalha como empregada nas mansões, no comércio, nos hotéis, nos restaurantes, na construção civil ou em alguma atividade informal que o turismo propicía.


Campos do Jordão eu me sinto super bem quando aparece o povo paulistano que sabe apreciar shows de qualidade que rolam na praça do Capivari, ou no espaço "Veja" ou em algum stand de alguma empresa, durante o mês de Julho. Já assisti até Jovita Diaz, mulher de Astor Piazzola, num desses "momentos maravilhosos".


Show com a banda Kuasimodo com direito a crianças da platéia brincando no palco (08-07-2011)

Última sexta feira em Campos, sem inspiração e com o sol fortíssimo batendo nas ruas, fui meditar a beira do rio Capivari. Lugar belíssimo e pouco frequentado pelos turistas que reflete o descaso das autoridades locais em matéria de saneamento básico.

Olhando para cima a paisagem e maravilhosa...


Olhando para frente e para baixo aparece o rio e o lixo que nele é jogado..



"Trabalhadores de Campos do Jordão"


Seu Severino, Paraibano "Cabra da Peste" é realmente uma figurinha linda que mora em Campos do Jordão e trabalha de cuidador de carros nas ruas do Capivari faz tempo. Com ele já bati altos papos enquanto faço minha maquiagem sentado na sua cadeira sem encosto a beira da calçada. Ele diz que quando jovem bebia muito para ficar descontraído e arranjar mulher, mas acabava sozinho, rejeitado e sem dinheiro. Hoje ele é crente, mas continua sendo engraçado mesmo assim...

Seu  Severino, Paraibano "Cabra da Peste"

domingo, 3 de julho de 2011

Julho em Campos do Jordão (ai meu Deus...)

Me comprometo a postar ao menos uma nova matéria no meu blog toda semana de domingo a terça feira. Convido amigos e simpatizantes a acompanha-lo, segui-lo, postar comentários, sugestões, etc. Grato...


"Ai meu Deus..."
 Ai meu Deus: Me ajuda suportar Julho em Campos do Jordão, proporcionando alegria às pessoas e conseguindo os trocados para a sobrevivência...

Chega Julho e é sempre a mesma coisa em Campos do Jordão:




Dezenas de empresas disputando espaço para divulgar seus produtos. A cidade vira uma grande feira de exposições. Eu já trabalhei para algumas, nesses tantos anos de Campos:

Olha eu "garoto propaganda" da Vivo

Mas eu prefiro trabalhar para mim, no chapéu mesmo, com todas as dificuldades que isso representa, já que fico no meio da "muvuca" entre outras várias atrações, a maioria pagas para divulgar algum produto: Ah dois caras vestidos de bonecos de neve fazendo propaganda da "Claro"  apesar do forte sol que faz durante o dia, uma banda big band de rua trabalhando para a "Credicard", um grupo de freiras cantoras trabalhando para não se quem, etc. Sem contar os habituais vendedores de loto, os catadores de latinhas, as meninas das promoções que oferecem como brindes bolachinhas e chocolates, os velinhos e jovens mendigos, os cachorros vira-latas, etc.
O que também atrapalha e a quantidade e o tipo de público heterogéneo formado por gente de várias classes sociais que vão para Campos do Jordão a procura de algum tipo de "sonho" que o lugar proporciona, tirando foto de qualquer coisa que eles acham interessante, inclusive "eu".

Eu prometo respirar fundo e pensar em uns jogos de mímica aproveitando o movimento das ruas e o fato que o público que vai hoje a Campos é formado mais pela classe "C" que se agrada com coisas simples.


"Andarilho do Maranhão", ele diz que viaja o Brasil inteiro a pé...

Vou fazer como indica esse "Profeta Andarilho" que achei nas ruas de Campos: deixar-me guiar pela luz divina...