terça-feira, 20 de novembro de 2012

Olho no Olho (Rumo á cidade de Cunha SP)

Amanhã viajo para a cidade de Cunha SP para realizar o espetáculo seguido de um Workshop de Teatro de Rua, Mímica e Clown. Essa atividade faz parte da programação da Oficina Cultural Altino Bondensan, da Secretaria de Estado da Cultura. Vou de bicicleta "Berlineta", carregando minha bandeira de "Autenticidade", sem máscaras, passar um pouco da minha experiência de "brincante" de tantos anos.

Não nego que ultimamente, para mim, não tem sido nada fácil, já que tenho sobrevivido na maior parte do improviso em Campos do Jordão, me apresentando nas ruas no meio aos carros, aos vendedores de loto, aos mendigos amadores e profissionais, aos cachorros, aos palhaços vendedores de bexiga,  ás pessoas mal humoradas, etc. Porém também é verdade que tenho contado com o apoio dos comerciantes e dos donos dos restaurantes que me fazem sentir a vontade, assim como dos garçons e dos músicos que tocam dentro dos estabelecimentos, com os quais muitas vezes acabo interagindo. Sem dúvida, meu maior capital são as pessoas que tem casa ou fazem turismo em Campos do Jordão, já que elas formam o público que me assiste  e que me sustenta com suas colaborações espontâneas..

- Meu nome é Carlos Javkin, moro em São José dos Campos, sou artista de rua, mímico e clown a mais de vinte anos e, por mais que essa atividade – ás vezes - não seja muito valorizada, eu pretendo levá-la até o fim... Digo isso antes de rodar o chapéu e ganhar uma boa quantidade de dinheiro na minha melhor performance no último dia feriado de finados...

Olho no olho, é como se as pessoas esperassem uma resposta que não vem – ridículo –
-Parece um cachorro abandonado (alguém diz...)

Cem por cento, o máximo que você pode dar e mais um pouco. Foi o que aprendi nas oficinas de clown, faz muito tempo, em Buenos Aires.  No Brasil eu agregaria: Quando você viu, já foi...  

O senhor do boné parece mímico também... (foto de Mel Braga - São Sebastião SP)
Momentos mágicos aonde vêm tudo a tona: a técnica da mímica reforçada com técnica do movimento consciente de Klauss Vianna e seus conceitos sobre opostos, utilização do espaço, direções, etc. e a técnica de Clown e os conceitos de impulso, ritmo e contato com o público.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"Maria Antônia" - Boneca de dançar


Ao assistir o filme “Gonzaga, de pai para filho” junto a meu filho, vem na minha cabeça a imagem da mesa de trabalho do mestre Afonso Miguel, lá pelo ano 1987, na cidade de Olinda, e dos bonecos gigantes do carnaval que ele esculpia no barro.  Vejo o “Grande Sertão Veredas”, a caatinga, os jagunços, os coronéis... A vida do mestre Luis Gonzaga e sua origem pobre, sua chegada no Rio de Janeiro e sua luta pelo ganha pão e o reconhecimento. Fiquei surpreso ao saber que no começo de carreira ele se apresentava nas ruas e nos bares “rodando o chapéu”.
Emocionei-me na cena na qual ele sai na laje do teatro para cantar para “o povo” que não tem dinheiro para pagar...
Lembrei-me que ainda é o ano do centenário do “Rei do Baião”. Acabei de arranjar um bom motivo para sair brincar com minha boneca Maria Antônia, dançando as músicas do "Gonzagão" e do Jackson do Pandeiro...

Maria Antônia encostada na bicicleta...
Maria Antônia não é muito bonita. Faz mais de dez anos, quando morava em sampa - no "morro do querosene" -  meu amigo Afonso Miguel (mestre mamulengueiro) me diz que queria fazer uma boneca esculpida diretamente na espuma, já que a técnica utilizada tradicionalmente é a de preencher uma malha de dança inteira com pedacinhos da mesma. E não é que eu, andando pela Avenida Corifeu A. Marques achei uns blocos de espuma novinhos, que acabavam de ser jogados?. Maria Antônia é feia mesmo!,  Também, não dava para ser de outro jeito, já que acabou de se esculpida  na tesoura, num cantinho do assento traseiro do Fusca, enquanto eu levava o mestre Afonso para o aeroporto, num dia de chuva torrencial, com o carro cheio de bagagens. Depois ela passou pelas mãos do meu amigo Antônio de Olinda que deu o acabamento da pele e pelas minhas, que acabaram acertando tudo na tesoura. O mestre mamulengueiro "Saúba dos bonecos" fez os primeiros "sapatos grudados" que eu renovo de tempos em tempos...

Técnica do teatro popular, onde se grudam dois sapatos a uma chapa de metal

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Participação no VI “litoral em Cena” na cidade de Caraguatatuba SP


Cheguei cedo, na quinta feira 18 de Outubro, um dia antes do começo do Festival. Fui contratado para fazer a divulgação do mesmo. Logo de cara já me aprontei e fui para rua. Quem me acompanhou o tempo todo foi à produtora Jaquelina Rodrigues, que aproveitava minha ”brincadeira” para conversar com as pessoas e entregar a programação do evento. Sai de bicicletinha "Berlineta" usando como trilha o som circense ligado a meu amplificadorzinho de cintura. Passamos pelo calçadão onde eu fiquei interagindo com os transeuntes e as pessoas que estavam dentro das lojas, depois fomos em direção á praça onde ia ser realizado o evento. No caminho fui brincando com as pessoas que encontrava pela rua: motoristas, ciclistas, transeuntes, agentes de trânsito, vendedores de sorvete, etc. Paramos numa esquina e eu desci da bicicleta para atuar como mímico e depois coloquei a burrinha; foi uma festa! Na sexta feira fomos para uma escola de manhã e outra à tarde, onde entrava nas salas de aula de “burrinha”, como o tenho feito quando vou fazer a divulgação do meu espetáculo. Meu trabalho culminou à noite com a participação no cortejo de bonecões que deu inicio a programação do festival.

"Respeitável Público", se segurem a suas cadeiras que o espetáculo vai começar...

No encarte da programação do festival sai como “Mímico Andarilho”: Personagem ingênuo que valoriza o lado “humano”, além de fazer uma paródia sobre a dificuldade de se viver de arte no Brasil...


Foto de Jaquelina Rodrigues
Estou feliz pelo tratamento recebido pelas pessoas da FUNDACC que me chamaram de “O palhaçinho” e também pela participação nesse evento que reúne grupos de teatro do Brasil todo. Recebi de presente livros que contam da história de Caraguatatuba, DVD/s de edições anteriores do festival, livro com poemas de escritores da cidade, etc.


A infância passada entre o jogo de bola
E o mergulho nas águas salgadas e limpas.
Hoje me fazem dó.

Memórias
Arnaldo José Cesar

Do livro
Caraguá, Inspiração dos poetas...



A programação vai até o próximo Domingo 27 de Outubro. Mais informações, Acesse o link
http://www.fundacc.com.br/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Preparando-me para “andar”, de alforjes prontos e capa de chuva


Oficialmente, por enquanto, tenho marcadas umas intervenções no “Litoral em Cena,” em Caraguatatuba na próxima quinta e sexta feira e depois a apresentação do espetáculo seguido de um Workshop na cidade de Cunha, em Novembro, pela Secretaria de Cultura do Estado.  

Aproveito o pique para viajar para outras cidades vizinhas na seqüência, levando o trabalho de forma independente, aproveitando a proximidade das festas de final de ano.

A ideia é levar o espetáculo adaptado á bicicleta para ser apresentado em diferentes tipos de espaço, inclusive na rua, na base de rodar o chapéu que nem o faço em Campos do Jordão.

Pretendo fazer um registro de minhas atividades e procurar futuramente algum tipo de apoio público ou privado para viabilizar meu projeto com maior facilidade.

O poste foi adaptado a bicicleta...
Levo na minha bagagem dezenas de depoimentos de pessoas que me assistem em Campos do Jordão e  que me fazem sentir que meu trabalho faz sentido. Cito o de um senhor de uns cinqüenta e poucos anos, meio encolhido e de cara fechada, que, chegando perto de mim enquanto  me preparava para brincar livremente na frente de um restaurante, me diz: Sabe? Eu tinha passado por uns aperreios da vida e fazia mais de dois anos que não conseguia rir de verdade até que faz duas semanas você me fez rir de novo. Contou que estava comigo para a mulher que acabava de telefonar...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mímicos Andarilhos (Parceria com Ariel Barreto)


Chegou a São José dos Campos Ariel Barreto, argentino que nem eu, mímico e também beirando os 50 anos. Mas o mais importante é que ele acredita no teatro nas ruas independente de vínculo institucional. Isso é cultural, já que em Buenos Aires – de onde nos vimos – as pessoas estão acostumadas a assistirem aos artistas que se apresentam nas ruas ou parques e no final cada um dar sua contribuição espontânea no chapéu.
Para ele não tem sido fácil, dada a falta do hábito do público. Além do mais, seu espetáculo não interage tanto com as pessoas que nem o meu. Mas temos mais é que agradecer sua iniciativa, já que ele está abrindo espaço para pessoas que nem eu, ganhando a confiança das autoridades locais, se apresentando em espaços públicos de São José como o Parque Santo Dumont e o Parque da Cidade.

Ariel "brincando" no Parque da cidade, em São José dos Campos
Tive a oportunidade de realizar um evento junto com Ariel no dia 14 de Setembro. Uma produtora me ligou e falou que precisava de dois mímicos e eu me lembrei dele. Fomos terceirizados duas vezes e deu para cada um mais o menos o que eu ganho numa jornada no chapéu em Campos do Jordão. Tratava-se de uma confraternização onde se festejava 40 anos da Petrobrás. Nada a ver com o “Mímico Andarilho” que propõe o uso de energias alternativas e a bicicleta como veículo urbano. Mas foi a oportunidade de realizar um trabalho com uma pessoa que se comunica com a mesma linguagem e, quem sabe, o começo de uma nova parceria...

Foto de André Yamamoto




terça-feira, 31 de julho de 2012

Licencia para “brincar”


Recebi uma proposta informal de uns amigos de uma companhia de teatro da cidade de Caraguatatuba para dar uns toques sobre mímica e clown para um grupo recém formado de jovens que pretendem levar alegria a pacientes em hospitais.
Pensando sobre o que eu poderia passar de melhor para eles, cheguei á conclusão de que é a minha experiência sobre a exposição do palhaço. Conseguir ficar simplesmente exposto na frente das pessoas pode parecer fácil, mas é muitíssimo difícil, já que requer não fazer nada, ficar vazio, não pensar, simplesmente sentir o corpo e se deixar levar. Estar aberto a o que “der e vier” requer coragem. Esse contato é mágico e tem a ver com a linguagem da criança menor de cinco anos, que age pelo impulso vital.

Tudo bem, quando vou interagir livremente com o público nas ruas nem sempre consigo ficar nesse “ponto de equilíbrio”, especialmente no meio da multidão, onde a tendência é a dispersão, por isso prefiro me apresentar para grupos pequenos, onde é mais fácil criar certa intimidade. Sexta feira passada, no último final de semana do Festival de Inverno de Campos do Jordão, teve um momento bem interessante em que apareceu “o clown” com muita espontaneidade, quando parei na calçada, enfrente a uma árvore e, percebendo que estava sendo observado por uma família, meio que fiz um sinal dando passagem para a árvore. Foi um momento inusitado para mim, para a família e para as pessoas que passavam pelo lugar. O palhaço é isso mesmo, sutileza pura...

Foto: Mel Braga (São Sebastião SP)


Realmente eu acredito nesse tipo de trabalho, sem esquema pré- estabelecido, onde o palhaço parece abrir a porta da rua para as pessoas se sentirem livres para brincar...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

São José, dos Campos...


Disso que eu gosto de São José dos Campos, cidade onde e moro; do ar de roça - a pesar de metrópole – da carreta puxada por bois, que ainda você encontra perto da minha casa, que fica no começinho da Serra da Mantiqueira, do jeitinho “minheiro” de ser, da sabedoria popular do Seu Antônio, que planta na lua nova e conhece as ervas que curam. Das dezenas de “tiozinhos” que pedalam suas “Barras Fortes” de cara fechada. Do Rio Paraíba que resiste a poluição urbana, abrigando peixes e recebendo a visita de garças que vem se alimentar a luz do dia e de pacientes pescadores que ficam horas na sua beira com as varinhas entendidas.

Carreta puxada por bois. "Revelando São Paulo 2012", Parque da Cidade S.J.C.
Aqui já realizei loucuras tais como entrar nos botecos fazendo mímica e brincando com meus bonecos da “Cultura Popular” conseguindo me comunicar com as pessoas com natural simplicidade, descolando meu sustento no chapéu durante anos, quando morava na região central, entre 2004 e 2009. 

Grupo de Folia de Reis de Carapicuíba, SP

Aproveito a edição do “Revelando São Paulo 2012” para matar a saudade, fazer minha oração de agradecimento e pedir pela proteção divina...

Olha a minha burrinha fazendo parte da festa!