terça-feira, 2 de abril de 2013

Entrevista Bacana antes da “Correria” no feriado da Páscoa


Na Sexta feira Santa cheguei mais cedo do que de costume a Campos do Jordão para gravar uma entrevista que vai compor uma matéria sobre “Artistas de Rua” para o último programa da temporada do “Vanguarda News” que vai ao ar no próximo Domingo, após o “Fantástico”. A Jornalista Agda Queiroz e o Cameraman Eduardo Marcondes subiram a serra somente para acompanhar meu trabalho. Lembrei-me da última experiência quando participei do filme “Aparecida, O Milagre” e fiz um esforço para não olhar para câmera.
Tudo rolou com a maior naturalidade. Espero que o céu azul, o ar limpo e o meu espírito leve, tenham ajudado para oferecer boas imagens. A relação com o público rolou bem legal e os jornalistas colaboraram para me fazer sentir a vontade. Agora a gente depende do pessoal que faz a edição. Tomara que a matéria contribua para divulgar meu trabalho de forma positiva...

Com pessoal da TV Vanguarda após a matéria

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Cidadão do Mundo..."

Quando a gente lança uma idéia no ar tem que se responsabilizar por ela.
Entrou em contato comigo uma pessoa da cidade de Altamira, no Pará, há mais de 2.700 km de São José dos Campos SP, que está querendo me levar para fazer uma apresentação numa empresa de lá. Acredito que ela deve ter visitado o meu alternativo-blog e assim acabou se interessando: “Você vai vir de bicicletinha? Vai trazer a burrinha até aqui?...” Me lembrei de quando estive em São Luis do Maranhão, doido para continuar a viagem rumo a Ilha de Marajó, mas acabei não me atrevendo, porque meu filho de meses me esperava em São Paulo.
Sim, a idéia do “Andarilho” é essa, a de andar, encurtar a distancia, ter como referência o ator que sai “brincar” livremente nas ruas pelos lugares por onde passa, sendo ele de “todos os lugares...”
Tal vez seja por isso que o trabalho funciona na cidade de Campos do Jordão SP, porque é freqüentada por pessoas diferentes dos mais diversos lugares do Brasil e do mundo...


Junto a Marilia, Pneumologista de Mogi das Cruzes SP

terça-feira, 12 de março de 2013

Preparando-me para o resto do ano realizando parcerias


Essas semanas tem sido preparatórias para o que vai acontecer no resto do ano. O carnaval acabou e eu tenho participado de reuniões com os grupos de trabalho da “Classe teatral” de São José dos Campos discutindo rumos. Tenho ouvido que para se fazer teatro precisa-se de certa estrutura, como uma boa iluminação, um palco, etc. Fazendo um levantamento dos espaços que a cidade possui para a apresentações de espetáculos, notei que ninguém cita os espaços públicos como praças, calçadões, etc.
Cabe ressaltar que com o revi goramento da região central as ruas ficaram muito mais bonitas e dignas de serem aproveitadas. Embora lá...

Estou me estruturando para poder viajar para outras cidades com o Projeto "Mímico Andarilho", que inclui a apresentação do espetáculo em teatros pequenos e espaços não convencionais, uma oficina de mímica para adolescentes das escolas e a "brincadeira" livre do palhaço nas ruas centrais do lugar.

Tive a oportunidade de realizar um trabalho no Distrito de Pindamonhangaba chamado Moreira Cesar, na fábrica da Gerdau, junto a um jovem e talentoso ator e músico chamado Rômulo Scarinni. Foi muito divertido, especialmente porque acabei indo de bicicleta, colocando-a no bagageiro do ônibus. Mais divertido foi levar o Rômulo por duas vezes no cano da bicicleta por quase dois quilômetros pela estrada, os dois caracterizados, desde o hotel na qual a gente se hospedou até a fábrica.   

Parceria divertida!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Bike Carnavalesca ( Folia de muito trabalho )

 De última hora acabei sabendo que a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, na cidade de São José dos Campos, estava precisando de atividades que ajudassem na realização do “Carnaval nos Bairros”, proposta da nova administração municipal, já que não ia ter o tradicional desfile de carnaval.
Propus fazer a “brincadeira” do palhaço popular, indo para os lugares de bicicleta, carregando a “burrinha” e a boneca de dançar, junto a meu amplificador de cintura que também serve de microfone.

Saindo do bairro de Santana (Zona Norte de SJC)

 No primeiro dia, na Sexta feira, fui na “Vila Tesouro”, onde realizei uma intervenção nas ruas do bairro. No Sábado fui para o populoso “Novo Horizonte”, situado no extremo leste de SJC e a uns vinte km da minha casa. Lá fiz a propaganda da “Matinê Infantil” que ia ser realizada pela primeira vez na Casa de Cultura do bairro. Foi super bacana, porque sai brincando com a bicicleta que nem carro de som, anunciando o evento, fazendo mil palhaçadas com as pessoas que encontrava no caminho, falando no meu microfone de cintura, circulando pela praça, entrando nos comércios, etc. No fim, estacionei a bicicleta na esquina mais movimentada para colocar a burrinha e brincar no trânsito. Foi uma festa. Legal foi que ajudou levar um bom público para matinê, que contou com atividades de recreação para as crianças e os bonecões do grupo de pesquisa de cultura popular “Piracema”, do “Bairrinho”, vizinho ao Novo Horizonte. No Domingo de carnaval realizei uma “Caravana Carnavalesca” de bicicleta, que começou por volta das 11 da manhã, quando me maquiei para brincar no belíssimo parque Vicentina Aranha junto a dezenas de crianças que curtiam a matinê organizada pelo pessoal do parque. Depois, caracterizado de palhaço, fui para o Parque Santos Dumont, brincando com as pessoas que encontrava no caminho ao som do jazz que saia do meu amplificador. A Caravana culminou no bairro Jardim Morumbi, no extremo sul da cidade, onde repeti a atividade feita no Novo Horizonte.
Foram mais de 80 km percorridos de bicicleta e a alegria do dever cumprido.
Ainda sobrou energia para me apresentar na serra, para os turistas, na cidade de Campos do Jordão, na Segunda e na Terça Feira de Carnaval. (Deus existe...)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Brincadeira espontânea nas ruas de São José dos Campos Foi do jeito que eu imagino tem que ser...


Cheguei de bicicleta sob o sol forte do verão, carregando a boneca, a burrinha, o som, o figurino, a maquiagem, etc. e parei debaixo de um toldo, na esquina de frente ao bar “Coronel”, em São José dos Campos. A loja da calçada onde estacionei estava fechada já que era Sábado de tarde, havendo inclusive uma corrente esticada como proteção. Fiquei desse lado da corrente, olhando para o bar. Comecei a me trocar. Mudei de camiseta, deixei o capacete pendurado ao guidão da bicicleta e coloquei o chapéu de palhaço. Maquiei-me ai mesmo sob o olhar dás pessoas do outro lado da rua que me observavam enquanto bebiam. Amarrei meu amplificador de cintura e coloquei um jazz no meu MP4 como trilha sonora. Atravessei a rua rumo ao bar. Enfiei-me no meio do corredor, entre as mesas e o meio fio da calçada e fiquei fazendo mímica, interagindo com ás pessoas. De vez em quando ia para rua para brincar com os motoristas e depois voltava para o corredor. Isso durou um bom tempo até eu voltar para minha bicicleta e pegar a burrinha para continuar a brincadeira e por último a boneca com a qual dancei ao som de um forró do Jackson do Pandeiro. Deu uma grana razoável no chapéu e pude conversar com as pessoas depois da apresentação, entregar cartões, falar do blog, etc. Fui embora de cara branca, nariz de palhaço e capacete na cabeça ao som do “Russo Jazz Bend”, brincando encima da bicicleta, buzinando para os carros. Cheguei nesse clima num bar novo que fica a um quarteirão do “Coronel”, chamado “Empório São José” e consegui brincar, antes da chuva começar, conseguindo assim mais uns trocados. As pessoas bateram palmas e no fim eu falei: - Eu sei que esse tipo de trabalho não é muito valorizado, mas eu acho que ele é válido porque “humaniza”, e ainda dei um grito de “Viva São José dos Campos!”.
Fui embora com a chuva correndo atrás de mim, fiquei de “Alma Lavada”...


"Um sonho que se sonha junto é realidade"

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Participação na segunda MIT em Caraguatatuba SP

No último fim de semana participei da programação da segunda "Mostra de Teatro Independente" de Caraguatatuba, no Litoral Norte do Estado de São Paulo, evento que reuniu mais de vinte grupos da região. Realizei uma brincadeira de Mímica em forma de interação, que nem o faço quando vou espontaneamente para as ruas. Fiquei desde a quinta feira, que era o dia oficial da minha apresentação até o Domingo, tendo a oportunidade de assistir a vários espetáculos de teatro...

Programação da quinta feira

Andando pelas ruas de Caraguá, na feirinha de artesanato, achei uma amiga, artista de rua que nem eu, que me diz que tinha sido convidada a participar da MIT, mas que acabou não aceitando quando soube que não ia receber cachê, sendo que e a proposta dela é a de trabalhar "de verdade". Me senti identificado com seu comentário. Em realidade, eu propus que minha atividade fosse na quinta para ter o resto do final de semana para me apresentar para os turistas, na base de rodar o chapéu, que nem o faço em Campos do Jordão, aproveitando a alta temporada.

O certo é que acabei me envolvendo com o clima de "Festival de Teatro" e o intercâmbio de experiências com os colegas, o que acabou sendo enriquecedor e pode vir a ser o combustível para trilhar o rumo a ser traçado de aqui para frente onde pretendo continuar com meu projeto do"Mímico Andarilho", batalhando algum tipo de apoio, seja público ou privado e também montar um novo espetáculo sobre a valorização de um modo de vida "sustentável".

"Estamos Juntos"

O bom também é que estou me tornando conhecido para os habitantes de Caraguá, que me assistiram em Janeiro de 2012 no primeiro MIT, em Setembro de 2012 no Litoral em Cena e agora no segundo MIT.
No Sábado a noite, quando sai para "brincar" livremente com minha "burrinha" pelas ruas, achei um grupo de chorinho tocando na praça central para um público animado de todas as idades. Não podia ser melhor, já que acabei improvisando, aproveitando á  música como sonoplastia, tornado assim a festa ainda mais bonita. E viva a arte da qual o palhaço "popular" faz parte...

Parabenizo a Companhia Popatapataio pela realização do evento e agradeço pelo acolhimento recebido. Até a terceira MIT, se "Deus quiser"...

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Sertão é a Rua...


“Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo...”

Vou determinado para as ruas, montado no meu cavalo de duas rodas, de capacete, cara branca e nariz de palhaço, carregando debaixo do braço o “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, qual fosse minha bíblia. O livro, numa versão antiga, foi achado meio rasgado entre os objetos que foram deixados para trás pelos músicos populares Zezé e Simões, quando partiram para o Sul.

“Deus vem, guia a gente por uma légua, depois larga. Então, tudo resta pior do que era antes. Esta vida é de cabeça para baixo, ninguém pode medir suas perdas e colheitas. Riobaldo, a colheita e comum, mas o capinar é sozinho... É o mundo á revelia!”

Curioso é que São José dos Campos convive entre o crescimento urbano e o resquício de roça. Senti isso claramente na outra noite, quando fui “brincar”, depois de algum tempo, na frente dos bares dos bairros burgueses, que ficam na região de São Dimas e da Vila Ema para depois descer e continuar-nos da Zona Norte, onde se concentra uma população de gente mais simples, de origem mineira, que nem Guimarães Rosa...

“Esta gente sertaneja, em tudo eles gostam de alguma demora. O mundo estava vazio. Boi e boi. Boi e boi e campo. O que é de paz cresce por si. Enquanto mais ando querendo pessoas, parece que entro mais no sozinho do vago..."

O trânsito de carros cresceu enormemente nos últimos anos e com eles a poluição do ar e á sonora, assim como o estresse, a violência, o medo, etc. Os estabelecimentos foram ficando cada vez mais protegidos com vidraças que os separaram da rua. As mesas nas calçadas hoje são bem mais escassas. Existem várias opções de lazer, tipo shows de música e de espetáculos de teatro que acontecem dentro de lugares formais tipo o SESC, o SESI, etc.

“Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sim razão de motivo. Eu não sabia o montante que queria, nem aonde em extensão eu ia. A gente tem de sair do sertão! Mas só se sai do sertão é tomando conta dele a dentro. O sertão é o mundo...”

Apesar de todas as dificuldades, acredito que o trabalho de intervenção é necessário, já que quebra com o protocolo e se defronta com o movimento cotidiano das pessoas, surpreendendo, criando situações inusitadas, espelhando a realidade...
Claro, é preciso ter coragem e saber que cada lugar condiciona um tipo de comportamento. Eu tento tratar todo mundo com carinho e com respeito, independente da idade, condição social, cor da pele ou a opção sexual de quem estou interagindo. O mais legal é a conversa que estabeleço com algumas pessoas do público antes, durante ou depois da brincadeira.

“Amigo para mim e só isto: É a pessoa com quem a gente gosta de conversar do igual a igual, desarmada. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e todos os sacrifícios..."

“Ai, no intervalo, o senhor pega o silêncio, põe no colo... O gado ainda pastava, meu vizinho, cheiro de boi sempre alegria faz...”