quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Excelência Artística

Aparentemente é isso o que mais pesa para as bancas dos Editais na hora de escolher projetos e é o dilema que eu tenho enfrentado. Para mim fica difícil apresentar um formato tradicional de espetáculo com começo meio e fim, já que meu forte está na interação, no improviso em contato direto com as pessoas. Inclusive quando me apresento num lugar formal, tudo rola melhor se acontece o inesperado...

Às vezes o importante não é o que nós achamos sobre nosso trabalho e sim o que ele representa para os outros (falando na função social do artista de rua).

Hoje em dia, quando saio a “brincar” nas ruas de Campos do Jordão, vejo as pessoas e percebo que tudo está ali (suas alegrias, suas tristezas, etc.). Tento chegar junto de uma forma em que não se sintam menosprezadas, ao contrário, se sintam valorizadas, ficando do lado delas, sem bater de frente. Sei que nem todo dia as coisas saem do jeito que eu mais gosto, já que a relação depende de diversos fatores como o espaço, o estado de ânimo dos outros e o de mim mesmo.

Na hora de enfrentar a rua, sempre a mesma briga: Vai, não vai e quando você viu já foi.  Pensou, perdeu...
Talvez a “Excelência artística” da minha atividade esteja na experiência de quase três décadas de rua.

O que mais me empolga é quando o espetáculo espontâneo de interação acaba acontecendo com brilho e, no final, depois das palmas, me apresento dizendo para o público: “Independente da grana, hoje estou muito feliz de estar aqui com vocês mais uma vez”...

Do filme "Asas do desejo" de Wim Wenders




terça-feira, 12 de novembro de 2013

Participação na Bienal do Livro de São José dos Campos 2013

Realmente, a minha participação na Bienal não foi do jeito que eu esperava. Falha minha, já que deveria saber que a apresentação que propus não ia funcionar no tipo de espaço aonde foi realizado o evento, um galpão com teto de ginásio, que nem nas quadras das escolas, aonde a tendencia natural é a dispersão.
A forma de organização,  aonde os alunos entram em masa, faz com que o ambiente fique tumultuado. Me fez lembrar as multidões de pessoas nas ruas de Campos do Jordão em temporada. "As vezes acontece", foi o que eu lhe diz  ao poeta Mário Pirata certa vez, á mais de duas décadas, quando fomos nos apresentar no interior do Rio grande do Sul, numa feira do livro, organizada pelo SESI de lá .Com ele tinha acontecido na época o mesmo que agora aconteceu comigo. Eu, que escrevi um projeto caprichado, que criei poesias, ensaiei, etc.
Alguma coisa falhou na organização também, já que os alunos das escolas se interessaram muito pouco pelas atividades extras propostas pela Bienal, sejam shows, palestras ou oficinas.
No meu caso o que funcionou foi o meu palhaço, já que não precisa de texto, assim que acabei "brincando" livremente que nem o faço nas ruas de Campos do Jordão.

Foto de Diego Nery Javkin

Detalhe: Procurando um canto apropriado para realizar a performance sobre meio ambiente, que eu tinha criado especialmente para a Bienal, acabei entrando num recinto aonde estava rolando uma palestra em que o tema a ser debatido  era o "humor". Um sujeito totalmente teórico me convidando a ser o seu "exemplo".
Foi realmente muito engraçado. Ele me perguntou: - Palhaço, o que é a comédia?. Como é que pode?
Vocês imaginam que tudo virou uma "palhaçada". É claro, o palhaço não tem regras, ao contrário, ele as burla "uai"...

Moral da história: "O Palhaço está mais perto da cultura do que da educação"...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Na onda dos Editais...

Com o intuito de levar a “brincadeira” para as ruas de cidades com menos acesso ou com maior índice de violência, estou procurando apoio para meu “Mímico Andarilho”, inscrevendo meu projeto tanto em editais que premiam diretamente os projetos escolhidos como também nos de Lei de Incentivo Fiscal, nos quais são as empresas as que patrocinam. Em principio a ideia é levar o “Mímico Andarilho” de bicicleta para vinte cidades da região do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte do Estado de São Paulo, me apresentando nas ruas e ministrando Um Workshop de Teatro de Rua, Mímica e Clown para interessados, em parceria com as Secretarias de Cultura dos municípios visitados.
Levando a alegria do palhaço popular e resgatando valores humanos junto à mensagem da importância de se preservar o meio ambiente em que vivemos.

Começarei minha empreitada na próxima Bienal do Livro, em São José dos Campos, cidade onde moro, onde participarei com meu “Mímico Andarilho” de um jeito diferente, misturando poesia, música e mímica, numa linguagem de “Teatro essencial”. A Bienal será realizada de 01 a 10 de Novembro de 2013, no “Espaço Gaivotas”, no Parque da Cidade.


Performance do "Mímico Andarilho", juntando  poesia,  música e  mímica. Imagem de Diego Nery Javkin

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

FESTIVALE 2013

Tendo como tema central a “Celebração”, foi realizada de 05 a 15 de Setembro a edição de número 28 do FESTIVALE, em São José dos Campos SP, cidade onde eu moro desde 2002. Tendo caráter de “Nacional”, o festival reuniu grupos representantes de várias regiões do Brasil. Fico feliz por ter tido a oportunidade de participar mais uma vez do mesmo, realizando minhas intervenções como “Mímico Andarilho”, que nem o faço espontaneamente nas ruas. Foram quatro dias de intervenções onde percorri espaços culturais, praças, feiras livres, ruas, etc. levando alegria para as pessoas por onde eu passava. Destaco o meu contato com as pessoas dos bairros mais afastados, como é o “Campo dos Alemães” onde se encontra o público para o qual eu mais gosto de me apresentar, como bom “artista popular” que eu sou...


"Brincadeira" na feira livre do Bairro de Santana (foto de Diego Nery Javkin)




Se me perguntaram com que tipo de teatro eu me identifico, responderia que é com o do meu colega recentemente falecido Harley Campos, que propunha a “desestruturação”. Harley foi um guerreiro que participou um tempo do Grupo de Teatro Oficina de Zé Celso e que veio para São José dos Campos para desenvolver seu trabalho a bem mais tempo do que eu. Ele não parou de batalhar pelos seus sonhos até o final dos seus dias, produzindo em todos nós uma alegria contagiante.

Que Deus o Tenha, amigo Harley...


Harley Campos

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

- “Hoje tem espetáculo? – Tem sim senhor!”...

Quando nos remetemos ao Circo com certeza ouvimos aquela música alegre e contagiante própria dele, enquanto vem na nossa mente à imagem da pirueta maravilhosa de um acrobata, a concentração de um equilibrista que arrisca a vida La no alto encima do arame, a habilidade do malabarista que arremessa vários objetos das mais diferentes formas para o alto, etc. Sem nos esquecer da figura do Palhaço, que é a “alma” do circo. 
Isso aconteceu na segunda quinzena do mês de Agosto de 2013, no Museu do Folclore, em São José dos Campos, quando se fez uma homenagem aos artistas circenses pela contribuição destes para manter vivo o espírito lúdico do ser humano.

"Corredor da alegria"..

Eu tive o privilégio de ter participado desse evento como mímico, tomando em conta a minha atividade de “brincante” de rua e minha característica de improvisador.

O público foi formado por crianças e adolescentes alunos de escolas públicas e particulares e da FUNDHAS, que dá auxilio ao jovem de baixa renda.                           

No gramado do Parque da cidade que circunda ao prédio do museu foi criada uma ambientação apropriada com o tema. O público foi recebido pelo palhaço “Pimentinha” que, dando as boas vindas, preparava a turma para o que ia assistir: - “Hoje tem espetáculo? –“ Tem sim senhor!”...
-Hoje vocês irão assistir a um espetáculo incrível, aonde encontrarão malabaristas “sensacionais”, acrobatas “espetaculares”, palhaços “maravilhosos”, etc.

Monitores dividiam a platéia em grupos que se revezavam para assistir simultaneamente a cada um dos artistas que estavam colocados cada um em um canto do espaço do “Circo”. No final se chamava ao fechamento no centro do “picadeiro” onde se faziam as apresentações e agradecimentos.

Realizamos dezesseis mini-apresentações por dia, entre manhã e tarde.

Pulando corda imaginária - Foto de André Marchezini

Para mim valeu o esforço, já que acabei trocando experiências com pessoas de circo, como é o palhaço Ioiô que, apesar de ter mais o menos a minha idade,
tem o olhar de uma criança...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"No universo do sutil"

Na "sutileza", para pequenos grupos no meio da multidão. Foi assim a minha participação no show “Vozes pela paz”, na comemoração do aniversário da cidade de São José dos Campos a convite do músico e produtor Cesar Pope, Sábado 27 de Julio de 2013.

Enquanto um grupo de 35 músicos da região se apresentava no palco eu interagia com as pessoas que estavam no belíssimo Parque da Cidade, que foi o local onde se realizou o evento. Tudo fluiu naturalmente, num cálido dia ensolarado. Dialoguei com as pessoas com o meu palhaço, brinquei de burrinha, dancei com minha boneca, fiz mímica, etc. Foi uma oportunidade maravilhosa de me apresentar para pessoas simples que nem eu, sem precisar “rodar o chapéu”. A experiência lembra quando me apresento na rua e uso como trilha o som dos músicos que tocam nos bares de São José dos Campos e Campos do Jordão. 

Universo Infantil... (foto de Diego Nery Javkin)


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Desde 1994 em Campos do Jordão

O que me mantém em Campos do Jordão há tanto tempo é a presença de um público de Classe média alta paulistana que as vezes aparece por lá e com o qual vivo momentos de leveza e arte. Isso acontece pelo geral longe da temporada de inverno e das grandes multidões. O curioso é que apesar de eu ser um ator de rua o meu trabalho funciona melhor para um grupo reduzido de pessoas.

Nos últimos dois anos tenho ido quase todos os finais de semana para Campos, ficando em casa de amigos. Pessoas simples que nem eu.

È bom ressaltar que o que eu ganho, na base de rodar o chapéu, dá para meu sustento, mas não para acumular capital, e também que estou tendo que me adaptar com a mudança do tipo de turista que frequenta a cidade.

A interação se dá melhor quando é para um tipo de público determinado, seja rico ou pobre. Quando é misturado fica bem mais difícil.

Esse último Sábado aconteceu um fato muito legal, quando consegui me refugiar num barzinho um pouco afastado da “muvuca” e toquei flauta utilizando meu microfone com amplificador preso á cintura, acompanhando meu amigo Cícero, que cantava dentro do local. Depois peguei minha “burrinha” e continuei tocando enquanto brincava com o pessoal das mesas que começou a me dar dinheiro espontaneamente. No fim me apresentei, agradeci a meu amigo e rodei o chapéu, conseguindo praticamente o dinheiro do dia.

O Cícero me incentiva a tocar e a utilizar mais a flauta nas minhas apresentações.

Além de ser bom, “tocar um instrumento” proporciona um  outro tipo de comunicação, assim como a escrita...
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Vista da janela da casa do amigo, onde eu fico, no humilde bairro chamado Britador, em Campos do Jordão

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