terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Espetáculo “Na Rua”, sempre atual...


 Em finais de 2006 nascia o espetáculo “Na Rua”, impulsionado pelo meu humilde desejo de querer passar uma mensagem sobre a importância de se preservar o Meio Ambiente em que vivemos. Optei por incorporar-me ao universo das pessoas que vivem nas ruas, as quais eu observava passar, quando morava numa antiga casa, no Bairro Jardim Bela Vista, na região central de São José dos Campos, SP, já que elas ficam expostas a tudo (aos fatores climáticos, á fome, á violência, etc.).
Nascia meu personagem mendigo, fazendo uma paródia sobre minha profissão de “Artista de Rua”, com a qual, acabo dependendo, em partes, da vontade alheia para conseguir o meu sustento.
Apesar de eu ser mímico, o figurino, rasgado e colorido, propõe um personagem palhaço-mendigo. Um Clown dramático, ingênuo e romântico, porém interativo e engraçado.



“Na Rua” já foi apresentado em dezenas de lugares. Projetos de Secretarias do Estado da Cultura e Secretarias Municipais, em duas edições do FESTIVALE, em São José dos Campos, pelo SESC, em Escolas de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, na Virada Cultural Paulista, etc.
Atualmente ele utiliza como cenário um simples poste com cruzamento de duas ruas (á da “Tristeza” e á da “Alegria”), onde o personagem se situa para interagir com a plateia, e uma grande mala antiga, onde carrega os adereços que compõem o “Seu mundo” (Uma sombrinha velha, uma estante com partituras, um quando de Chaplin e seu personagem “Carlitos”, um banquinho minúsculo, uma flauta transversal, um globo terrestre inflável, etc.).
Apesar do seu nome, “Na Rua” é um espetáculo intimista e funciona melhor em pequenas salas de espetáculos ou auditórios que facilitem a proximidade com o público, já que não possui palavras, só gestos e alguns efeitos sonoros incorporados a cena.









quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"Como Andorinhas"...

Assim como as Andorinhas voam atrás do sol, nos seguimos nossos sonhos...

Seja brincando espontaneamente com as pessoas nas ruas, montando peças de teatro, espetáculos de poesia, shows musicais, etc. O verdadeiro artista é aquele que cria por instinto, por impulso vital. Como diz o escritor João Maria Rilke no seu livro "Cartas a um Jovem Poeta": - Escreva no momento em que a necessidade seja maior do que qualquer coisa. 

“Cria se o que não se tem”, diz o escritor Ernesto Sábato.  Tal vez artistas e cientistas tenham uma função parecida dentro da sociedade, que é a de projetar, refletir, procurar saídas e soluciones.

Nós lutamos. Às vezes somos reconhecidos e outras nem tanto. Sobrevivemos, especialmente os que tiramos nosso sustento através da arte. Temos a vantagem de fazer nosso próprio horário, de ter tempo para pensar, de sermos autônomos e de termos que ser sempre um pouco crianças.

Tomara que o ano de 2015 seja tão frutífero como o está sendo esse de 2014.

Nós, com minha nova companheira de trabalho Vivian Rau, vamos de Oscar Wilde, porque "Uma Andorinha só não faz verão"...

"A História do Príncipe Feliz"

Um feliz Natal e um Próspero Ano novo para todos os amigos e colegas que lutam que nem a gente. 

https://www.facebook.com/pages/Mamulengo-Andarilho-Teatro-Popular/1569688376607217?fref=ts

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Três Palhaços

 Fechando com chave de ouro a minha Oficina de Improvisação Teatral, Mímica e Clown, que ministrei durante o ano todo, no Espaço Cultural Clemente Gomes, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, SP, apresentamos uma performance num Sarau que aconteceu no mesmo local, no Sábado dia 08 de Novembro, meu filho Diego,  Jean  Alex e eu.

Três palhaços

Na apresentação, que tinha como tema “O sonho de cada um”, “brincamos” com elementos básicos de mímica apreendidos nas aulas, finalizando com Diego tocando Saxofone, eu bongó e Jean dançando bolero com uma boneca minha.
Pela oficina passaram várias pessoas interessadas em teatro e público em geral e contamos com a dificuldade de ela acontecer nas sextas feiras de noite, o que acabou atrapalhando um pouco.
Mas valeu pelo Jean, que além de ser mudo, enfrenta vários problemas de saúde, e ao qual, segundo ele, a oficina ajudou a tornar sua vida mais feliz.
Legal também é a cumplicidade de palhaço que adquirimos nos três no transcurso das aulas e que pode ser visto no final, onde meus meninos se entregaram sem medo de serem felizes...

  
Trio de respeito (rs)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Festa do Dia das Crianças, na Praia Fortaleza em Ubatuba SP

Parece que os moradores nativos das praias vizinhas, Fortaleza e Brava, na cidade de Ubatuba SP, são todos meios parentes, só que uns são católicos e os outros protestantes. O dia das crianças serviu para unir tudo mundo numa festa que teve a participação ativa de uma galerinha adolescente da comunidade que faz aula de fotografia e vídeo e que está criando um documentário sobre a vida das pessoas de lá. 

A festa teve um pouco de tudo: Gincana, Contação de histórias, Pipoca, balas, Show de sanfona e a minha participação. 

Como é bom unir o útil ao agradável...

Obrigado Thais Taniguti e galerinha do projeto "Caiçara criativo".



Foto de Jussara Guimarães
Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino

Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanjá

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar
Yemanja Odoiá Odoiá



Dorival Caymmi  (Caminhos do mar)



terça-feira, 9 de setembro de 2014

"Ação Brincante" no FESTIVALE 2014


Acabei de realizar minha atividade de quatro dias de intervenções pelos bairros de São José dos Campos com o projeto que chamei "Salve o Brincante", mas acho que o nome mais apropriado teria sido "Ação Brincante".


Dessa vez optei em sair da forma mais leve possível, como mímico-palhaço, montado na minha bicicletinha “Berlineta”, levando minha própria trilha sonora de banda "big ben" de rua amplificada a minha caixinha de cintura. Funcionou muito bem. Minha proposta foi o clown puro solto no meio do povo. Saindo de um ponto determinado  ia realizando intervenções com as pessoas que encontrava pelo caminho e de vez em quando parava e fazia mini espetáculos. No final me apresentava e aproveitava para divulgar o festival.

O Clown puro é o palhaço que mora dentro de cada um de nós. Ficando em equilíbrio, a comunicação se estabelece desde um ponto zero que consiste em não se fazer nada, ficando totalmente neutro. A partir de ai começa um jogo de ação e reação onde se improvisa junto com o público. Parece fácil mas é extremadamente difícil, já que a tendência natural é pensar.

Foto de Fernando Carvalho

Quando se vai brincar com um grupo de pessoas que estão no seu habitat natural, acaba tendo que se lidar com o comportamento social. Teve momentos muito bons, como um em que quase entrei dentro de um ônibus com minha bicicleta carregada de coisas. Depois apostei corrida com o motorista. A plateia era formada pelas  pessoas que estavam no ponto. 

No Parque da Cidade, teve uma criança que ficava me imitando, dançando de forma desengonçada que nem eu. Eu me mostrei chateado, peguei a bicicletinha e fui em cima dele. Ele saiu correndo de verdade, mas depois achou engraçado.  Seguidamente fiz um jogo com bola imaginária com um pai e um filho que estavam jogando futebol, mostrando o trajeto da bola em mímica. As pessoas riam muito. Tudo o que ia acontecendo somava com o jogo anterior. O jogo de improviso costuma durar aproximadamente uns vinte minutos, desde que começa a rolar, passando pelo seu ápice até a culminação de forma espontânea. Assim acontece quando vou rodar o chapéu nas ruas.

Foto de Fernando Carvalho

Uma coisa que deu para confirmar é que para o jogo acontecer melhor é preciso que exista um espaço físico livre em que as pessoas consigam enxergar as cenas  e facilite à interação com público. Na feira livre de Santana, por exemplo, acabou “rolando” porque era “fim de feira”...

No Brasil, "Brincantes" são por exemplo, os personagens do Bumba meu boi. Eu represento "a burrinha", personagem do auto, onde acabo misturando a técnica de mímica européia com o jogo de improviso que aprendi nas ruas, em quase três décadas de experiência.



terça-feira, 2 de setembro de 2014

"Esperando Godot"

Lendo “Esperando Godot” de Samuel Beckett, me surge a imagem dos personagens do cinema mudo e do meu próprio personagem nas ruas. Um errante, um perdido, alguém que caiu de paraquedas não se sabe bem de onde. O certo é que tenho sobrevivido dessa atividade há tanto tempo e ainda sobrevivo. Só preciso do espaço adequado para a “brincadeira” é de um bom estado de ânimo que tudo se resolve para mim em matéria econômica. Ao menos consigo pagar as minhas contas. Aparentemente as bancas que selecionam espetáculos em diferentes Editais não dão tanto  valor assim a atividade do improvisador de rua, já que tenho tido certa dificuldade em encaixar meus projetos. O conceito que eles mais falam é o de “Excelência Artística”, o que me leva a entender que apesar da contemporaneidade da nossa época, ainda prevalece o lado mais conservador de um formato fechado, com começo, meio e fim. De acordo com amigos eu devia vender o que faço de melhor que é a interação com o público. Assim tenho participado de vários projetos com meu “Mímico Andarilho” e participarei a partir dessa sexta feira dia 05 de Setembro da edição Número 29 do FESTIVALE, Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba, realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, na cidade onde moro, São José dos Campos. Minha atividade chamada “Salve o Brincante” consiste em percorrer diferentes bairros da cidade brincando com as pessoas nas ruas enquanto divulgo o festival.

Lá vamos nós...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Na trilha de Oscar Wilde

Marcamos a estreia do espetáculo “Do Príncipe Feliz” para Novembro. Temos três meses para preparar-nos, terminar o roteiro, o cenário, os bonecos, ensaiar, etc. Sabemos que a história que já existe dentro de nossos corações vai tornar-se real a partir de começar a apresentá-la. Depois da antiga parceria com Silvia Nery, que acabou em 2004, é minha primeira experiência de um trabalho junto com outra pessoa. Vivian Rau parece ser a companheira ideal, já que é “Mamulengueira”, por tanto, artista popular que nem eu. Para mim está sendo uma oportunidade de aprender dramaturgia, já que estou escrevendo o roteiro, baseado na obra de Oscar Wilde.

A forma como está sendo o processo de criação também é uma novidade, já que é lento e de forma maturada.

No tempo do homem da roça, ruminando que nem boi, vamos nós, devagar, mas, em frente.

Nos finais de semanas continuo apresentando-me nas ruas de Campos do Jordão, aonde vou a improvisar, solto, com meu doido “cavalinho de pau”, fazendo intervenções, na base de rodar o chapéu para os turistas.


Em São José dos Campos, pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo,  realizo uma oficina de Mímica e Improvisação para o Clown, dentro da entidade e também desenvolvo um trabalho no Centro de Convivência dos moradores de rua da cidade, onde sou chamado por eles de “Professor de Música”, já que o que tem funcionado melhor é a batucada, para a qual carrego nos alforjes da minha bicicleta todos os instrumentos de percussão que possuo, além da flauta, a estante de partituras, etc. Com eles estamos também construindo um “Boi Tatá”, que é uma grande cobra de fogo protetora da natureza, baseado numa lenda do folclore brasileiro.

Portão do Centro de Convivência "POP" II, Em São José dos Campos SP