quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"Na Estrada"

Dizem que viajar fortalece o coração, pois trilhar novos caminhos faz esquecer o anterior... (Litto Nebbia)

Viajar, sair por aí levando a alegria do palhaço popular. Conhecer lugares e pessoas diferentes. Mudar de ares, realizando tanto minhas intervenções espontâneas de rua como apresentando o espetáculo “As Peripécias do Mímico Andarilho”. A “Burrinha”vai comigo, já que tem sido a minha grande parceira de brincadeira.

Estou querendo ir, por exemplo, para o Planalto Central e, quem sabe, dar um pulo no Mato Grosso, no Pantanal...

Quando cheguei ao Brasil, na década de ’80, nos dois primeiros anos, fui nômade, ficando no máximo três meses em cada lugar, vivendo das minhas brincadeiras espontâneas como mímico-palhaço popular. 

Comecei pelo Nordeste, depois fui para Minas, passando por Brasília e indo para o Rio. Fui para o Sul, estive em Curitiba, mas no paralelo ’30, “Porto Alegre”, parei, pois era minha sina... Morei lá três anos, e me fiz conhecido com minhas apresentações no calçadão. Isso foi na época do Plano Collor. As pessoas tensas e eu quebrando o gelo,para deixá-las tenras...

Em estilo jazzístico tenho levado minha vida.  enfrentado o povo e transformando crise em alegria
Não sobra muito, mas nada falta. Cumprindo minha parte, na arte, como meu coração manda...

São José dos Campos, SP é o meu endereço e o meu Porto. Daqui eu saio e aqui eu vorrto.


Mímico Andarilho em trânsito...


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Experiência bacana no dia do aniversãrio da cidade de São Paulo

Olha só, fui resgatado de um final de semana não tão bom em Campos do Jordão pelo pessoal de uma agência de publicidade localizada em São Paulo que precisava de um mímico para realizar um material de amostra de campanha para um possível cliente deles. Isso, justo na data do aniversário da Metrópole. Acabei trocando a montanha pela cidade grande num mesmo Feriadão. Imagina a diferença entre estar livre e solto na rua para "brincar" com o povo e estar dentro de um estúdio localizado na sala de um apartamento tendo aproximadamente um metro e cinquenta por oitenta centímetros para movimenta-se, realizando um trabalho estritamente técnico.


"O Mini Palco"

Ao principio  foi meio estranho, mas depois, na medida que o corpo foi aquecendo, tudo começou a fluir com naturalidade. Vieram todos aqueles recursos do mímico, as dicas de Eduardo Coutinho, os olhares espontâneos da rua, etc. Um exercício meio que matemático que serviu para afirmar á importância  tanto do treino do corpo para aprimorar a técnica, como do treino da repetição para melhorar as cenas.



Caretas e bocas 2016 



E vamos trabalhar...

domingo, 17 de janeiro de 2016

Festival de Janeiro, "Teatro para criança é o maior barato", São José do Rio Preto, SP



Experiência legal essa de participar de festivais de teatro. Você assiste a espetáculos das mais diversas linguagens de grupos de várias cidades do Brasil, inclusive de outros estados. É incrível ver tanta gente que batalha pelo aprimoramento e divulgação do seu trabalho, viajando centenas de quilômetros, pelo geral com condução própria, carregando elenco, cenários, etc.


“São José do Rio Preto respira teatro”, foi o que uma moça me disse, já que ali acontecem vários festivais, inclusive um internacional...

Talvez isso explique a qualidade dos grupos da região, entre os quais estão a própria “Cia Fábrica de Sonhos", organizadora do evento.

Os grupos de São Paulo e Região do ABC, participantes do festival, pelo geral são formados por gente jovem que estudou ou estuda  na Escola SP de Teatro, na Escola Livre de Santo André,  na EAD ou na ECA da USP.

Eu dei prioridade á programação infantil e tive o prazer de me deliciar tanto com espetáculos que incentivam a exploração da palavra e o uso da poesia ás crianças, como  com outros de linguagem circense e de teatro de Mamulengo. 

Mamulengo "Sem Fronteiras", foto de Sérgio Menezes

A minha atividade na programação do festival foi a “Ação Brincante”, com a qual realizei percursos “brincando” pela ruas da cidade com meu personagem “Mímico Andarilho”,  pedalando minha bicicletinha, que nem o tenho feito em outros festivais.


Foto de Sérgio Menezes

Deu até para testar minha nova estrutura de espetáculo, onde me apresento como palhaço flautista. E não é que tantas horas de estudo de música estão começando a dar resultado...?

https://www.facebook.com/MimicoAndarilho/?fref=ts


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Feliz Ano Novo de 2016!

Bom, nesse novo ano que acaba de começar, com certeza, trabalharei tanto quanto ou ainda mais do que no ano anterior, como qualquer outro trabalhador brasileiro.

Para os palhaços as crises são provas de fogo, já que nossa função é levar alegria para as pessoas...

Estou ensaiando uma nova estrutura de espetáculo solo, na qual carrego pouquíssimos objetos de cena, pensando em facilitar minha locomoção para lugares diferentes, inclusive cidades distantes de São José dos Campos, onde eu moro.

"As Peripécias do Mímico Andarilho".
Espetáculo Interativo para todas as idades

O figurino volta a ser o de mímico-clown. A diferencia está em que em principio me apresento como flautista, para depois desenvolver histórias de pantomima, fazendo participar o público. No final deixo uma mensagem sobre a importância de preservar o meio ambiente em que vivemos.

O sentido do trabalho continua sendo o de resgatar valores como o do bom trato entre as pessoas, a cidadania e a auto-estima.

Com essa estrutura, mais a minha pequena bicicleta “Berlinetta”, parto Domingo para o Festival “Em Janeiro, Teatro para Crianças é um barato”, a ser realizado na cidade de São José do Rio Preto, SP, onde desenvolverei minha “Ação Brincante” pelas ruas de lá. 


Divulgação do FESTIVALE pelas ruas de São José dos Campos, SP
Foto de Fernando Carvalho


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Arte de Resistência

O teatro de intervenção, a palhaçada espontânea, a música tocada informalmente nas ruas, o grafite, etc.

As pessoas precisam disso. Expressão e comunicação de uma forma solta, sem hora nem local marcados...

Na era da tecnologia, onde o uso constante do celular faz com que o relacionamento com o mundo se torne “virtual”.

Onde o dinheiro virou cartão de débito ou crédito

Onde só se fala em violência e em crise econômica.

Num país onde predomina o preconceito, inclusive com os artistas de rua...

Para nós tornou-se mais difícil ganhar dinheiro, mas sempre rola alguma coisa no chapéu, então, é só fazer mais vezes...


Rodolfo, saxofonista que passou pela cidade de São José dos Campos e encantou todo mundo  no calçadão do centro

Acredito que o trabalho da gente faz sentido. No meu caso, em que tudo se desenvolve no diálogo direto com o público, a minha postura é muito importante, porque acabo sendo exemplo, um “interlocutor”.

Curioso é o que me falou uma amiga sobre como os argentinos são diretos e incisivos. Fez-me lembrar das vezes em que alguém do público me interroga para afirmar para si mesmo que eu não sou brasileiro. Apesar de morar no Brasil há tanto tempo parece que ainda guardo rasgos marcantes da minha terra natal. Com o passar do tempo tenho tentado ser cada vez mais conciliador, procurando com que as pessoas entendam que se trata só de um jogo no qual minha intenção e levar paz e alegria por onde passo...


A utopia, às vezes, pode parecer simples bobeira, mas a gente precisa dela...

Apresentação do Dia das Crianças, no Parque da Cidade, em S.J.C, SP, pelo Departamento de Eventos da Prefeitura local





quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"A Pátria educadora" somos nós...

Eu vejo os grupos montarem espetáculos de teatro de rua onde existe um cuidado especial com a história, a linguagem, o figurino, o cenário, o trabalho corporal, etc. No final  rodam o chapéu como o manda a tradição, mas dificilmente eles sobrevivem do arrecadado espontaneamente do público. Em geral se sustentam vendendo suas apresentações, ou graças a leis de incentivo ou a editais públicos ou privados ou então os integrantes tem outra fonte de renda além do teatro.

Em São José dos Campos, cidade onde eu moro, notei como é difícil ganhar dinheiro na base de rodar o chapéu, com o formato de apresentação de uma história, quando esteve por aqui meu amigo argentino chamado Ariel Barreto, que é mímico como eu, apresentando seu espetáculo nos parques. As pessoas gostam, mas na hora do vamos ver, são poucos os que colaboram.  É falta de costume do público e também falta de se criar o hábito por parte dos artistas.

Pelo geral eu consigo o dinheiro de forma espontânea nas ruas porque vou simplesmente “brincar”, sem a necessidade de ter que contar uma história, mas para isso as pessoas precisam rir muito. 

Apesar de tudo eu acredito que sempre se pode sobreviver de teatro de rua na sua essência, ou seja, com a colaboração espontânea do público. Eu já vi muita gente ganhando dinheiro apresentando-se na rua com um trabalho decente. É claro que tal vez as tramas sejam mais curtas e a linguagem mais popular, o que não quer dizer de baixo nível.

Tenho conseguido contar uma história quando apresento meu espetáculo chamado “Na Rua”, mas isso tem acontecido de um jeito formal, em locais onde as pessoas param para assistir. O legal é que essa minha experiência da rua me permite sair da história e improvisar com público a qualquer hora do espetáculo, inclusive me adaptar ao lugar da apresentação.


Apresentação do "Na Rua" para os funcionários da loja da "Geneve" em Campos do Jordão, SP

Respeito imensamente o teatro e acredito que ele tem o poder de mudar as pessoas. Com o meu personagem “Mendigo” estou conseguindo tocar na flauta a primeira parte do Hino Nacional Brasileiro de cabo a rabo, fazendo as pessoas cantarem junto, para no final, depois das palmas espontâneas, pedir-lhes colaborações para matar minha fome. Feito isto, pego uma bandeirinha do Brasil e a penduro na velha mala que eu carrego.

Estou convencido de que a tal “Pátria educadora” somos nós, os adultos, e que fazer teatro é uma forma de educar também.

Acredito que todas as linguagens são válidas. A minha é a do improviso e da interação com o público, para a qual me preparo toda vez que não estou “no palco”...




segunda-feira, 27 de julho de 2015

Enaltecendo a criança...

Só ouço falar na crise que o país atravessa. Bom, eu já sobrevivi a várias crises no Brasil. Na época do plano Collor, quando todo mundo estava desesperado porque tinham pegado seu dinheiro da poupança, eu fazia rir o povo nas ruas de Porto Alegre RS. Na época de FHC, quando o desemprego atingiu o 20% das pessoas, eu “brincava” nos bares de São José dos Campos, SP. Lembro-me de uma vez em que uma senhora se referiu a mim para comentar que de alguma forma a gente tinha que se virar para sobreviver (rs).

Aparentemente eu recebi o dom de conseguir improvisar com o que a rua me oferece, apesar de depender muitas vezes do meu estado de ânimo e do das pessoas.

Em Campos do Jordão, onde me apresento há mais de vinte anos, estou recebendo um pequeno apoio desde Março o que faz menos ardida a situação de ter que depender pura e exclusivamente da colaboração espontânea do público. 

Tenho tentado passar paz para as pessoas, fazendo-as entender que apesar de imitá-las, trata-se de um jogo onde tento enaltecer o lado humano, a criança que todos temos dentro.

Meu trabalho está servindo, de certa forma, como marketing do logo que me apoia. Na hora de almoço fico no meio da “Muvuca” vestindo a camiseta do Shopping “Boulevar Geneve” e no final do dia vou para a loja do dono do Shopping, vestindo a camiseta com o nome da mesma.

Curioso é ver como meu personagem “Mímico Andarilho”  se encaixou com o local que parece um castelo e onde no quintal da frente estão estacionadas várias bicicletas coloridas. Lá as pessoas tomam chá, almoçam e compram roupas. O público em geral é de pessoas de classe social elevada. Lá eu brinco no meio das mesas e, muitas vezes, passeio com minha burrinha. O clima é muito agradável, tranqüilo, ao contrário do que acontece no meio da multidão. Lá conheci Lara, uma menininha de seis aninhos, cheia de luz, que me recebeu dizendo que queria ser palhaça e que ia me ajudar na brincadeira. Lá fui parabenizado pelo designer gráfico Hans Donner, que se encontrava junto à menina sem eu ter percebido.

Crianças, elas são as merecedoras de tudo, inclusive a menina que me seguiu dentro do shopping, dizendo que ela imaginava que se abria o chão para eu guardar minha “burrinha” que nem o personagem “Batmam”...



"Burrinha Sans Souci"