quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mímicos Andarilhos (Parceria com Ariel Barreto)


Chegou a São José dos Campos Ariel Barreto, argentino que nem eu, mímico e também beirando os 50 anos. Mas o mais importante é que ele acredita no teatro nas ruas independente de vínculo institucional. Isso é cultural, já que em Buenos Aires – de onde nos vimos – as pessoas estão acostumadas a assistirem aos artistas que se apresentam nas ruas ou parques e no final cada um dar sua contribuição espontânea no chapéu.
Para ele não tem sido fácil, dada a falta do hábito do público. Além do mais, seu espetáculo não interage tanto com as pessoas que nem o meu. Mas temos mais é que agradecer sua iniciativa, já que ele está abrindo espaço para pessoas que nem eu, ganhando a confiança das autoridades locais, se apresentando em espaços públicos de São José como o Parque Santo Dumont e o Parque da Cidade.

Ariel "brincando" no Parque da cidade, em São José dos Campos
Tive a oportunidade de realizar um evento junto com Ariel no dia 14 de Setembro. Uma produtora me ligou e falou que precisava de dois mímicos e eu me lembrei dele. Fomos terceirizados duas vezes e deu para cada um mais o menos o que eu ganho numa jornada no chapéu em Campos do Jordão. Tratava-se de uma confraternização onde se festejava 40 anos da Petrobrás. Nada a ver com o “Mímico Andarilho” que propõe o uso de energias alternativas e a bicicleta como veículo urbano. Mas foi a oportunidade de realizar um trabalho com uma pessoa que se comunica com a mesma linguagem e, quem sabe, o começo de uma nova parceria...

Foto de André Yamamoto




terça-feira, 31 de julho de 2012

Licencia para “brincar”


Recebi uma proposta informal de uns amigos de uma companhia de teatro da cidade de Caraguatatuba para dar uns toques sobre mímica e clown para um grupo recém formado de jovens que pretendem levar alegria a pacientes em hospitais.
Pensando sobre o que eu poderia passar de melhor para eles, cheguei á conclusão de que é a minha experiência sobre a exposição do palhaço. Conseguir ficar simplesmente exposto na frente das pessoas pode parecer fácil, mas é muitíssimo difícil, já que requer não fazer nada, ficar vazio, não pensar, simplesmente sentir o corpo e se deixar levar. Estar aberto a o que “der e vier” requer coragem. Esse contato é mágico e tem a ver com a linguagem da criança menor de cinco anos, que age pelo impulso vital.

Tudo bem, quando vou interagir livremente com o público nas ruas nem sempre consigo ficar nesse “ponto de equilíbrio”, especialmente no meio da multidão, onde a tendência é a dispersão, por isso prefiro me apresentar para grupos pequenos, onde é mais fácil criar certa intimidade. Sexta feira passada, no último final de semana do Festival de Inverno de Campos do Jordão, teve um momento bem interessante em que apareceu “o clown” com muita espontaneidade, quando parei na calçada, enfrente a uma árvore e, percebendo que estava sendo observado por uma família, meio que fiz um sinal dando passagem para a árvore. Foi um momento inusitado para mim, para a família e para as pessoas que passavam pelo lugar. O palhaço é isso mesmo, sutileza pura...

Foto: Mel Braga (São Sebastião SP)


Realmente eu acredito nesse tipo de trabalho, sem esquema pré- estabelecido, onde o palhaço parece abrir a porta da rua para as pessoas se sentirem livres para brincar...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

São José, dos Campos...


Disso que eu gosto de São José dos Campos, cidade onde e moro; do ar de roça - a pesar de metrópole – da carreta puxada por bois, que ainda você encontra perto da minha casa, que fica no começinho da Serra da Mantiqueira, do jeitinho “minheiro” de ser, da sabedoria popular do Seu Antônio, que planta na lua nova e conhece as ervas que curam. Das dezenas de “tiozinhos” que pedalam suas “Barras Fortes” de cara fechada. Do Rio Paraíba que resiste a poluição urbana, abrigando peixes e recebendo a visita de garças que vem se alimentar a luz do dia e de pacientes pescadores que ficam horas na sua beira com as varinhas entendidas.

Carreta puxada por bois. "Revelando São Paulo 2012", Parque da Cidade S.J.C.
Aqui já realizei loucuras tais como entrar nos botecos fazendo mímica e brincando com meus bonecos da “Cultura Popular” conseguindo me comunicar com as pessoas com natural simplicidade, descolando meu sustento no chapéu durante anos, quando morava na região central, entre 2004 e 2009. 

Grupo de Folia de Reis de Carapicuíba, SP

Aproveito a edição do “Revelando São Paulo 2012” para matar a saudade, fazer minha oração de agradecimento e pedir pela proteção divina...

Olha a minha burrinha fazendo parte da festa!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Preto no Branco


Com a qualidade de “itinerante”, ciclo-ativista e improvisador. Com a intenção de juntar a linguagem do teatro popular de rua junto á música e a literatura.

Preto no branco. Simples, como essa folha escrita, estou me estruturando para encarar o “Mímico Andarilho”.

Comecei dando um trato á bicicleta. Agora vou caprichar no figurino, lembrando os personagens do cinema mudo, além de diminuir a carcaça da burrinha para colocá-la no bagageiro da bicicleta, reforçar os alforjes, etc.

A nova "Neide", por Juliano Maurer e por mim

O Mímico Andarilho inclui uma síntese do espetáculo “Na Rua”, o uso da flauta transversal, que tenho tocado diariamente e é claro a “Burrinha”.

Assumo-me assim como artista popular, improvisador. Vou com a humildade do músico de jazz, que espera o momento certo para solar.

Campos do Jordão, onde me apresento á dezoito anos, é prova de que é possível. Apesar de todas as dificuldades, tenho conseguido encontrar os espaços para minhas performances e compartilhado momentos bem legais de improviso usando como trilha o som dos músicos que se apresentam nos restaurantes e que são anônimos que nem eu na rua. 

Foto de Fernanda Prestes

Não deixo de reconhecer que, depois de tanto tempo, existe o reconhecimento do público de "Campos", que muitas vezes senta no "Baden – Baden" esperando minha aparição, assim como também que eu tenho realmente gostado da forma carinhosa com que tenho me comunicado com as pessoas, independente da idade ou da condição social. 




sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Trabalha para Deus"


Pedalando rumo ao centro turístico de Capivari, me questionando sobre qual é o sentido do meu trabalho em Campos do Jordão, encontro pelo caminho um crente que me diz em voz baixa “trabalha para Deus". Num lugar onde predomina o valor do dinheiro e do consumo e o sonho da maioria é ser aquele empresário bem sucedido que passeia na sua Ferrari acompanhado de uma bela mulher, qual é o sentido do palhaço no meio da rua?

Símbolo de poder e de glória 

Penso na  fraude do velho trapaceiro do conto “O Viajante do tempo” de Ray Bradbury

 Um século antes, numa única noite, Craig Bennett Stiles, recém-chegado do tempo, havia se apresentado perante bilhões de telespectadores de todo mundo para contar-lhes como era o futuro.

Nós conseguimos! – dissera – Nós chegamos lá! O futuro é nosso! Nós reconstruímos as cidades, melhoramos as aldeias, despoluímos os lagos e os rios, limpamos o ar, salvamos os golfinhos, aumentamos a população das baleias, acabamos com as guerras, lançamos estações solares no espaço para iluminar o mundo, colonizamos a Lua, chegamos até Marte e depois até Alpha Centauri. Descobrimos a cura do câncer e vencemos a morte. Fizemos tudo isso. Oh, que surjam as belas e radiosas espirais do futuro!
Mostrara fotos, trouxera amostras, distribuíra fitas gravadas, discos, filmes e cassetes sobre seu vôo maravilhoso, extraordinário. O mundo todo havia enlouquecido de alegria e todos competiram para fabricar aquele futuro, fundar as cidades prometidas, salvar todos os animais e compartilhar com eles o oceano e a terra...

Enquanto acontece o “Rio+20” vejo a contradição que existe entre crescimento econômico e preservação ambiental, tomando como exemplo a exploração e o consumo do petróleo. O discurso do governo é de que a riqueza extraída do pré-sal vai servir para diminuir a pobreza no Brasil.

Eu vou pedalando e pensando, levando a alegria e a ingenuidade do palhaço, acreditando num mundo melhor  para todos nós...






terça-feira, 5 de junho de 2012

Dia do Meio Ambiente

Olha o Louva Deus de bike!
Tenho realmente vivido de um jeito bem “Natural” esse tempo todo, bebendo água da nascente do lado de casa, plantando e colhendo frutos, locomovendo-me de bicicleta para cima e para baixo, subindo e descendo morros, carregando meu material de trabalho nela.

Programação do evento
A Oficina Cultural Altino Bondensan, da Secretaria de Cultura do Estado SP, me contratou para participar da Primeira Semana do Meio Ambiente no Parque da Cidade, em São José dos Campos, realizada pela Secretaria do Meio Ambiente da Prefeitura local.
A idéia dos organizadores era a de eu ficar intervindo no meio do público, que nem o faço na rua, só que como meu espetáculo fala de Meio Ambiente, eu não queria perder a oportunidade de deixar minha mensagem.

Devido ao atraso, tive que me conformar com dez minutos para poder utilizar o palco no meio da programação. No resto, achei melhor esperar para Chico Teixeira começar seu show para eu soltar minha burrinha para “cavalgar” no meio do público. Pedi licença, como sempre o faço com os músicos, e por incrível que pareça a permissão me foi negada, pois o menino tinha medo de eu roubar a atenção dele. Juro que é a primeira vez que isso acontece comigo. A música regional cassa perfeitamente com a “burrinha” que é um personagem da cultura popular.

O que era para ser uma festa para valorizar o trato “humano” e a preservação do meio ambiente para mim não passou de uma mostra de estrelismo e mesquinharia. Por sorte minha força interior prevaleceu quase na minha saída do evento, enquanto eu colhia assinaturas dos que tinham me assistido para comprovar minha apresentação junto aos meus “contratantes”.

Conversando com as pessoas, dei-me conta qual era o tipo de tratamento que elas esperavam, e, sem titubear, tirei a burrinha da sacola e brinquei, longe do palco e do estrelismo. Foi maravilhoso, e acabei cativando crianças pequenas e seus pais, assim como estagiários e professores que ministravam suas oficinas.

La vem o palhaço de burrinha... (foto de Danilo Morales)

Fui embora para minha casa, caracterizado de palhaço, carregando a burinha na minha bicicleta  “Berlineta” ao som do “Fafarre Cirque” e no caminho fiquei interagindo com os motoristas, as pessoas que esperavam no ponto do ônibus e os transeuntes das calçadas. Peguei o trecho de SP 50 (Estrada Velha de Campos do Jordão) e depois subi o morro que dá ao bairro onde eu moro (Altos da Vila Paiva, S.J.C.). O som circense se misturou ao dos alto-falantes dos carros, entre “Ai se eu te pego” e “Eu quero tchu eu quero tcha”. Continuei mesmo assim, chegando em casa são, salvo e feliz...



domingo, 13 de maio de 2012

Rádio Aguapé Na Praça Afonso Pena

O logo da "Rádio" é bem bonito, reunindo dentro de um rádio antigo o símbolos anarquista e  Yin e Yang

No Sábado 12 de Maio de 2012 decidi não subir a serra para “brincar” em Campos do Jordão e  aceitei o convite do músico Cesar Pope para me apresentar na “Radio Aguapé”, que é uma programação realizada por ele na Praça Alfonso Pena – centro da cidade de São José dos Campos – junto a músicos, poetas e dançarinos locais.
Não dá para negar que Cesar reúne as qualidades de eixo de manifestações culturais que expressam o “ser” brasileiro. O fundo colorido do palco, a capoeira do começo, os músicos moradores da cidade que se juntam para fazer um som de qualidade na hora - como o brasileiro sabe fazer -, além do poeta Moraes, o músico e poeta Leo Mandi, o Cordelista Paulo Barja entre outros...

Enquanto eu me preparo para dançar com Maria Antônia, Cesar Pope apresenta o Poeta  Moraes

Tudo aconteceu com naturalidade e eu fiquei brincando com minha burrinha com as pessoas que circulavam pela praça enquanto os músicos tocavam e no final apresentei minha boneca dançaria (Maria Antônia) para o pessoal. Fico Feliz de me sentir parte do universo cultural que povoa a cidade onde moro...