segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Participação no VI “litoral em Cena” na cidade de Caraguatatuba SP


Cheguei cedo, na quinta feira 18 de Outubro, um dia antes do começo do Festival. Fui contratado para fazer a divulgação do mesmo. Logo de cara já me aprontei e fui para rua. Quem me acompanhou o tempo todo foi à produtora Jaquelina Rodrigues, que aproveitava minha ”brincadeira” para conversar com as pessoas e entregar a programação do evento. Sai de bicicletinha "Berlineta" usando como trilha o som circense ligado a meu amplificadorzinho de cintura. Passamos pelo calçadão onde eu fiquei interagindo com os transeuntes e as pessoas que estavam dentro das lojas, depois fomos em direção á praça onde ia ser realizado o evento. No caminho fui brincando com as pessoas que encontrava pela rua: motoristas, ciclistas, transeuntes, agentes de trânsito, vendedores de sorvete, etc. Paramos numa esquina e eu desci da bicicleta para atuar como mímico e depois coloquei a burrinha; foi uma festa! Na sexta feira fomos para uma escola de manhã e outra à tarde, onde entrava nas salas de aula de “burrinha”, como o tenho feito quando vou fazer a divulgação do meu espetáculo. Meu trabalho culminou à noite com a participação no cortejo de bonecões que deu inicio a programação do festival.

"Respeitável Público", se segurem a suas cadeiras que o espetáculo vai começar...

No encarte da programação do festival sai como “Mímico Andarilho”: Personagem ingênuo que valoriza o lado “humano”, além de fazer uma paródia sobre a dificuldade de se viver de arte no Brasil...


Foto de Jaquelina Rodrigues
Estou feliz pelo tratamento recebido pelas pessoas da FUNDACC que me chamaram de “O palhaçinho” e também pela participação nesse evento que reúne grupos de teatro do Brasil todo. Recebi de presente livros que contam da história de Caraguatatuba, DVD/s de edições anteriores do festival, livro com poemas de escritores da cidade, etc.


A infância passada entre o jogo de bola
E o mergulho nas águas salgadas e limpas.
Hoje me fazem dó.

Memórias
Arnaldo José Cesar

Do livro
Caraguá, Inspiração dos poetas...



A programação vai até o próximo Domingo 27 de Outubro. Mais informações, Acesse o link
http://www.fundacc.com.br/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Preparando-me para “andar”, de alforjes prontos e capa de chuva


Oficialmente, por enquanto, tenho marcadas umas intervenções no “Litoral em Cena,” em Caraguatatuba na próxima quinta e sexta feira e depois a apresentação do espetáculo seguido de um Workshop na cidade de Cunha, em Novembro, pela Secretaria de Cultura do Estado.  

Aproveito o pique para viajar para outras cidades vizinhas na seqüência, levando o trabalho de forma independente, aproveitando a proximidade das festas de final de ano.

A ideia é levar o espetáculo adaptado á bicicleta para ser apresentado em diferentes tipos de espaço, inclusive na rua, na base de rodar o chapéu que nem o faço em Campos do Jordão.

Pretendo fazer um registro de minhas atividades e procurar futuramente algum tipo de apoio público ou privado para viabilizar meu projeto com maior facilidade.

O poste foi adaptado a bicicleta...
Levo na minha bagagem dezenas de depoimentos de pessoas que me assistem em Campos do Jordão e  que me fazem sentir que meu trabalho faz sentido. Cito o de um senhor de uns cinqüenta e poucos anos, meio encolhido e de cara fechada, que, chegando perto de mim enquanto  me preparava para brincar livremente na frente de um restaurante, me diz: Sabe? Eu tinha passado por uns aperreios da vida e fazia mais de dois anos que não conseguia rir de verdade até que faz duas semanas você me fez rir de novo. Contou que estava comigo para a mulher que acabava de telefonar...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mímicos Andarilhos (Parceria com Ariel Barreto)


Chegou a São José dos Campos Ariel Barreto, argentino que nem eu, mímico e também beirando os 50 anos. Mas o mais importante é que ele acredita no teatro nas ruas independente de vínculo institucional. Isso é cultural, já que em Buenos Aires – de onde nos vimos – as pessoas estão acostumadas a assistirem aos artistas que se apresentam nas ruas ou parques e no final cada um dar sua contribuição espontânea no chapéu.
Para ele não tem sido fácil, dada a falta do hábito do público. Além do mais, seu espetáculo não interage tanto com as pessoas que nem o meu. Mas temos mais é que agradecer sua iniciativa, já que ele está abrindo espaço para pessoas que nem eu, ganhando a confiança das autoridades locais, se apresentando em espaços públicos de São José como o Parque Santo Dumont e o Parque da Cidade.

Ariel "brincando" no Parque da cidade, em São José dos Campos
Tive a oportunidade de realizar um evento junto com Ariel no dia 14 de Setembro. Uma produtora me ligou e falou que precisava de dois mímicos e eu me lembrei dele. Fomos terceirizados duas vezes e deu para cada um mais o menos o que eu ganho numa jornada no chapéu em Campos do Jordão. Tratava-se de uma confraternização onde se festejava 40 anos da Petrobrás. Nada a ver com o “Mímico Andarilho” que propõe o uso de energias alternativas e a bicicleta como veículo urbano. Mas foi a oportunidade de realizar um trabalho com uma pessoa que se comunica com a mesma linguagem e, quem sabe, o começo de uma nova parceria...

Foto de André Yamamoto




terça-feira, 31 de julho de 2012

Licencia para “brincar”


Recebi uma proposta informal de uns amigos de uma companhia de teatro da cidade de Caraguatatuba para dar uns toques sobre mímica e clown para um grupo recém formado de jovens que pretendem levar alegria a pacientes em hospitais.
Pensando sobre o que eu poderia passar de melhor para eles, cheguei á conclusão de que é a minha experiência sobre a exposição do palhaço. Conseguir ficar simplesmente exposto na frente das pessoas pode parecer fácil, mas é muitíssimo difícil, já que requer não fazer nada, ficar vazio, não pensar, simplesmente sentir o corpo e se deixar levar. Estar aberto a o que “der e vier” requer coragem. Esse contato é mágico e tem a ver com a linguagem da criança menor de cinco anos, que age pelo impulso vital.

Tudo bem, quando vou interagir livremente com o público nas ruas nem sempre consigo ficar nesse “ponto de equilíbrio”, especialmente no meio da multidão, onde a tendência é a dispersão, por isso prefiro me apresentar para grupos pequenos, onde é mais fácil criar certa intimidade. Sexta feira passada, no último final de semana do Festival de Inverno de Campos do Jordão, teve um momento bem interessante em que apareceu “o clown” com muita espontaneidade, quando parei na calçada, enfrente a uma árvore e, percebendo que estava sendo observado por uma família, meio que fiz um sinal dando passagem para a árvore. Foi um momento inusitado para mim, para a família e para as pessoas que passavam pelo lugar. O palhaço é isso mesmo, sutileza pura...

Foto: Mel Braga (São Sebastião SP)


Realmente eu acredito nesse tipo de trabalho, sem esquema pré- estabelecido, onde o palhaço parece abrir a porta da rua para as pessoas se sentirem livres para brincar...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

São José, dos Campos...


Disso que eu gosto de São José dos Campos, cidade onde e moro; do ar de roça - a pesar de metrópole – da carreta puxada por bois, que ainda você encontra perto da minha casa, que fica no começinho da Serra da Mantiqueira, do jeitinho “minheiro” de ser, da sabedoria popular do Seu Antônio, que planta na lua nova e conhece as ervas que curam. Das dezenas de “tiozinhos” que pedalam suas “Barras Fortes” de cara fechada. Do Rio Paraíba que resiste a poluição urbana, abrigando peixes e recebendo a visita de garças que vem se alimentar a luz do dia e de pacientes pescadores que ficam horas na sua beira com as varinhas entendidas.

Carreta puxada por bois. "Revelando São Paulo 2012", Parque da Cidade S.J.C.
Aqui já realizei loucuras tais como entrar nos botecos fazendo mímica e brincando com meus bonecos da “Cultura Popular” conseguindo me comunicar com as pessoas com natural simplicidade, descolando meu sustento no chapéu durante anos, quando morava na região central, entre 2004 e 2009. 

Grupo de Folia de Reis de Carapicuíba, SP

Aproveito a edição do “Revelando São Paulo 2012” para matar a saudade, fazer minha oração de agradecimento e pedir pela proteção divina...

Olha a minha burrinha fazendo parte da festa!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Preto no Branco


Com a qualidade de “itinerante”, ciclo-ativista e improvisador. Com a intenção de juntar a linguagem do teatro popular de rua junto á música e a literatura.

Preto no branco. Simples, como essa folha escrita, estou me estruturando para encarar o “Mímico Andarilho”.

Comecei dando um trato á bicicleta. Agora vou caprichar no figurino, lembrando os personagens do cinema mudo, além de diminuir a carcaça da burrinha para colocá-la no bagageiro da bicicleta, reforçar os alforjes, etc.

A nova "Neide", por Juliano Maurer e por mim

O Mímico Andarilho inclui uma síntese do espetáculo “Na Rua”, o uso da flauta transversal, que tenho tocado diariamente e é claro a “Burrinha”.

Assumo-me assim como artista popular, improvisador. Vou com a humildade do músico de jazz, que espera o momento certo para solar.

Campos do Jordão, onde me apresento á dezoito anos, é prova de que é possível. Apesar de todas as dificuldades, tenho conseguido encontrar os espaços para minhas performances e compartilhado momentos bem legais de improviso usando como trilha o som dos músicos que se apresentam nos restaurantes e que são anônimos que nem eu na rua. 

Foto de Fernanda Prestes

Não deixo de reconhecer que, depois de tanto tempo, existe o reconhecimento do público de "Campos", que muitas vezes senta no "Baden – Baden" esperando minha aparição, assim como também que eu tenho realmente gostado da forma carinhosa com que tenho me comunicado com as pessoas, independente da idade ou da condição social. 




sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Trabalha para Deus"


Pedalando rumo ao centro turístico de Capivari, me questionando sobre qual é o sentido do meu trabalho em Campos do Jordão, encontro pelo caminho um crente que me diz em voz baixa “trabalha para Deus". Num lugar onde predomina o valor do dinheiro e do consumo e o sonho da maioria é ser aquele empresário bem sucedido que passeia na sua Ferrari acompanhado de uma bela mulher, qual é o sentido do palhaço no meio da rua?

Símbolo de poder e de glória 

Penso na  fraude do velho trapaceiro do conto “O Viajante do tempo” de Ray Bradbury

 Um século antes, numa única noite, Craig Bennett Stiles, recém-chegado do tempo, havia se apresentado perante bilhões de telespectadores de todo mundo para contar-lhes como era o futuro.

Nós conseguimos! – dissera – Nós chegamos lá! O futuro é nosso! Nós reconstruímos as cidades, melhoramos as aldeias, despoluímos os lagos e os rios, limpamos o ar, salvamos os golfinhos, aumentamos a população das baleias, acabamos com as guerras, lançamos estações solares no espaço para iluminar o mundo, colonizamos a Lua, chegamos até Marte e depois até Alpha Centauri. Descobrimos a cura do câncer e vencemos a morte. Fizemos tudo isso. Oh, que surjam as belas e radiosas espirais do futuro!
Mostrara fotos, trouxera amostras, distribuíra fitas gravadas, discos, filmes e cassetes sobre seu vôo maravilhoso, extraordinário. O mundo todo havia enlouquecido de alegria e todos competiram para fabricar aquele futuro, fundar as cidades prometidas, salvar todos os animais e compartilhar com eles o oceano e a terra...

Enquanto acontece o “Rio+20” vejo a contradição que existe entre crescimento econômico e preservação ambiental, tomando como exemplo a exploração e o consumo do petróleo. O discurso do governo é de que a riqueza extraída do pré-sal vai servir para diminuir a pobreza no Brasil.

Eu vou pedalando e pensando, levando a alegria e a ingenuidade do palhaço, acreditando num mundo melhor  para todos nós...