quinta-feira, 19 de setembro de 2013

FESTIVALE 2013

Tendo como tema central a “Celebração”, foi realizada de 05 a 15 de Setembro a edição de número 28 do FESTIVALE, em São José dos Campos SP, cidade onde eu moro desde 2002. Tendo caráter de “Nacional”, o festival reuniu grupos representantes de várias regiões do Brasil. Fico feliz por ter tido a oportunidade de participar mais uma vez do mesmo, realizando minhas intervenções como “Mímico Andarilho”, que nem o faço espontaneamente nas ruas. Foram quatro dias de intervenções onde percorri espaços culturais, praças, feiras livres, ruas, etc. levando alegria para as pessoas por onde eu passava. Destaco o meu contato com as pessoas dos bairros mais afastados, como é o “Campo dos Alemães” onde se encontra o público para o qual eu mais gosto de me apresentar, como bom “artista popular” que eu sou...


"Brincadeira" na feira livre do Bairro de Santana (foto de Diego Nery Javkin)




Se me perguntaram com que tipo de teatro eu me identifico, responderia que é com o do meu colega recentemente falecido Harley Campos, que propunha a “desestruturação”. Harley foi um guerreiro que participou um tempo do Grupo de Teatro Oficina de Zé Celso e que veio para São José dos Campos para desenvolver seu trabalho a bem mais tempo do que eu. Ele não parou de batalhar pelos seus sonhos até o final dos seus dias, produzindo em todos nós uma alegria contagiante.

Que Deus o Tenha, amigo Harley...


Harley Campos

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

- “Hoje tem espetáculo? – Tem sim senhor!”...

Quando nos remetemos ao Circo com certeza ouvimos aquela música alegre e contagiante própria dele, enquanto vem na nossa mente à imagem da pirueta maravilhosa de um acrobata, a concentração de um equilibrista que arrisca a vida La no alto encima do arame, a habilidade do malabarista que arremessa vários objetos das mais diferentes formas para o alto, etc. Sem nos esquecer da figura do Palhaço, que é a “alma” do circo. 
Isso aconteceu na segunda quinzena do mês de Agosto de 2013, no Museu do Folclore, em São José dos Campos, quando se fez uma homenagem aos artistas circenses pela contribuição destes para manter vivo o espírito lúdico do ser humano.

"Corredor da alegria"..

Eu tive o privilégio de ter participado desse evento como mímico, tomando em conta a minha atividade de “brincante” de rua e minha característica de improvisador.

O público foi formado por crianças e adolescentes alunos de escolas públicas e particulares e da FUNDHAS, que dá auxilio ao jovem de baixa renda.                           

No gramado do Parque da cidade que circunda ao prédio do museu foi criada uma ambientação apropriada com o tema. O público foi recebido pelo palhaço “Pimentinha” que, dando as boas vindas, preparava a turma para o que ia assistir: - “Hoje tem espetáculo? –“ Tem sim senhor!”...
-Hoje vocês irão assistir a um espetáculo incrível, aonde encontrarão malabaristas “sensacionais”, acrobatas “espetaculares”, palhaços “maravilhosos”, etc.

Monitores dividiam a platéia em grupos que se revezavam para assistir simultaneamente a cada um dos artistas que estavam colocados cada um em um canto do espaço do “Circo”. No final se chamava ao fechamento no centro do “picadeiro” onde se faziam as apresentações e agradecimentos.

Realizamos dezesseis mini-apresentações por dia, entre manhã e tarde.

Pulando corda imaginária - Foto de André Marchezini

Para mim valeu o esforço, já que acabei trocando experiências com pessoas de circo, como é o palhaço Ioiô que, apesar de ter mais o menos a minha idade,
tem o olhar de uma criança...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"No universo do sutil"

Na "sutileza", para pequenos grupos no meio da multidão. Foi assim a minha participação no show “Vozes pela paz”, na comemoração do aniversário da cidade de São José dos Campos a convite do músico e produtor Cesar Pope, Sábado 27 de Julio de 2013.

Enquanto um grupo de 35 músicos da região se apresentava no palco eu interagia com as pessoas que estavam no belíssimo Parque da Cidade, que foi o local onde se realizou o evento. Tudo fluiu naturalmente, num cálido dia ensolarado. Dialoguei com as pessoas com o meu palhaço, brinquei de burrinha, dancei com minha boneca, fiz mímica, etc. Foi uma oportunidade maravilhosa de me apresentar para pessoas simples que nem eu, sem precisar “rodar o chapéu”. A experiência lembra quando me apresento na rua e uso como trilha o som dos músicos que tocam nos bares de São José dos Campos e Campos do Jordão. 

Universo Infantil... (foto de Diego Nery Javkin)


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Desde 1994 em Campos do Jordão

O que me mantém em Campos do Jordão há tanto tempo é a presença de um público de Classe média alta paulistana que as vezes aparece por lá e com o qual vivo momentos de leveza e arte. Isso acontece pelo geral longe da temporada de inverno e das grandes multidões. O curioso é que apesar de eu ser um ator de rua o meu trabalho funciona melhor para um grupo reduzido de pessoas.

Nos últimos dois anos tenho ido quase todos os finais de semana para Campos, ficando em casa de amigos. Pessoas simples que nem eu.

È bom ressaltar que o que eu ganho, na base de rodar o chapéu, dá para meu sustento, mas não para acumular capital, e também que estou tendo que me adaptar com a mudança do tipo de turista que frequenta a cidade.

A interação se dá melhor quando é para um tipo de público determinado, seja rico ou pobre. Quando é misturado fica bem mais difícil.

Esse último Sábado aconteceu um fato muito legal, quando consegui me refugiar num barzinho um pouco afastado da “muvuca” e toquei flauta utilizando meu microfone com amplificador preso á cintura, acompanhando meu amigo Cícero, que cantava dentro do local. Depois peguei minha “burrinha” e continuei tocando enquanto brincava com o pessoal das mesas que começou a me dar dinheiro espontaneamente. No fim me apresentei, agradeci a meu amigo e rodei o chapéu, conseguindo praticamente o dinheiro do dia.

O Cícero me incentiva a tocar e a utilizar mais a flauta nas minhas apresentações.

Além de ser bom, “tocar um instrumento” proporciona um  outro tipo de comunicação, assim como a escrita...
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Vista da janela da casa do amigo, onde eu fico, no humilde bairro chamado Britador, em Campos do Jordão

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Cultura Popular


Ter conhecido meu patrício Alejandro me vez entender à importância de se cultivar as raízes. Quando fico ouvindo-o tocar e cantar tangos e músicas regionais da Argentina, que ele interpreta com toda seriedade e sentimento, lembro-me da “Academia do Lunfardo”, que é o gíria Portenho, e do material que eu fui recolhendo nas minhas viagens a Buenos Aires para montar o espetáculo “Milongas Sentimentais”. “É um pensamento triste que se baila...” Diz o escritor Ernesto Sábato, no seu livro sobre Sociologia do Tango. "A pessoa dança com a outra, mas ensimesmado com seu próprio eu..."
Eu vejo similitude nos cortiços de Salvador, Bahia, dos livros de Jorge Amado da década do ’30 com os de Buenos Aires.
Apesar dos “milongueiros” não aceitarem, o tango, que tem parte da sua origem na “Havanera”, tem certa relação com a África, inclusive até no seu próprio nome.

Cultura Popular no Brasil é, por exemplo, a festa do “Bumba meu Boi” representando o ciclo da vida, onde o boi nasce, é batizado e depois morre para voltar a renascer...

Na quinta feira 06 de Junho tive a oportunidade de me apresentar na rua como eu mais gosto, junto a uma turma de músicos brasileiros, que me fez lembrar quando brincava de “Burrinha” no folguedo de Bumba meu Boi junto ao mestre Maranhense Tião Carvalho e seu grupo “Cupuaçu”, no “Morro do Querosene”, da região do Butantã, na cidade de São Paulo. A “Burrinha” é um personagem de responsabilidade, já que é quem encabeça o batalhão. Brincar nos bairros das Periferias de São Luis do Maranhão é como fazê-lo em qualquer outro bairro pobre de qualquer cidade do Brasil ou de outro pais dessa nossa “Latino-América”...

Charanga "Aguapé", do Cesar Pope, fazendo a divulgação da Semana do Meio  Ambiente , em São José dos Campos, SP

Sambas, Marchinhas, Xote e Baião e a “Burrinha” brincando livremente na rua com o povo, num cortejo que percorreu – ida e volta - o calçadão de São José dos Campos, SP, começando na “Praça do Sapo” e terminando no Terminal de ônibus urbano.






sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Rua e a Grana

A Rua, um lugar de improviso, de desafio, de confronto, de luta...

É o que tem sido para mim desde o começo nas ruas de Buenos Aires, em 1985, e o é até hoje...

Lugar onde comparto com as pessoas momentos brilhantes e outros nem tanto...

Faca de dois gumes, já que valoriza e desvaloriza ao mesmo tempo, numa sociedade em que, por sua heterogenia e sua história, acaba vendo tudo com certo pré-conceito e aonde a mídia tem uma grande parcela de influência nisso.

Acredito que o trabalho de improviso que se utiliza do movimento cotidiano das pessoas acaba servindo como uma teatralização da realidade no momento em que ela acontece...

Depois de tantos anos de “Brincante”, improvisando nas ruas, acabei desenvolvendo a “percepção”, que me permite saber aonde me colocar para ser visto e que ritmo impor para manter a atenção das pessoas.

A grana que eu ganho é conseqüência da qualidade da apresentação. Quanto mais o público se diverte, maior é o meu “cachê” (não deixa de ser orgânico...). Por isso é que muitas vezes  prefiro o confronto das ruas a uma cômoda apresentação “formal”, na qual o dinheiro já está garantido.

O roteiro do meu espetáculo chamado “Na Rua”, que realizo nas escolas e para Secretarias de Cultura Municipais e Estaduais em diversos tipos de espaço, tem como tema central a minha própria realidade de artista de rua e a sobrevivência na base de “rodar o chapéu”.

Espetáculo "Na Rua"

Nas ruas tenho “brincado” bastante com o tema do dinheiro. Às vezes eu pego o dinheiro que uma pessoa me dá e o entrego para outra, ou então se uma pessoa participa da minha brincadeira eu lhe ofereço uma gorjeta. No outro dia dei dois reais para um cara e me mandei. Quando voltei, me disseram que ele foi atrás de mim para me devolver o dinheiro. Ficou me procurando um tempão e eu nem ai...

Eu consigo trabalhar de forma mais leve se deixo de pensar em dinheiro e me concentro só em “brincar”. O legal é a conversa franca que tenho com as pessoas no final, na hora de “rodar o chapéu”, onde ás vezes  acabo inclusive expondo como é que eu me sinto.

Link de Matéria sobre "Artistas de Rua" do programa "Vanguarda News", da TV Vanguarda (07-04-2013)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Atividade no “Museu da Vida”, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro...


No Sábado, 27 de Abril, estive no Campus da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
Fui para o Rio de ônibus,  carregando no bagageiro, além da bicicleta "Berlineta", a"burrinha" e as coisas do espetáculo.

Imagine um lugar onde há cientistas profissionais e “estagiários” realizando uma atividade junto á comunidade, especialmente ás crianças, que tem como tema central “Celebrando o Cérebro...”

A maior parte da atividade feita sobre a grama, onde foram montadas tendas aonde se convidou a discernir sobre o tema... Tinta, papel, cola, bexigas representando neurônios, cérebros em forma de picolé, capacetes com o desenho do cérebro feitos de papel com o “mapa” do mesmo, etc.

Imagine uma Sala aonde a turma dos “Pais da Ciência” nos dá as boas vindas na entrada e no interior encontramos, além de cérebros de gente de verdade conservados em formol, microscópios, tubos de ensaio,  insetos “barbeiros” dissecados, etc.

Ao redor das tendas, na grama, fazem parte da paisagem objetos que comprovam fatos científicos e até uma célula imensa feita em resina onde as crianças ficam brincando. O Campus onde fica a Fundação é abundante em mata e existem ruas que comunicam os diferentes prédios de pesquisa. As pessoas que trabalham no local utilizam bicicletas para se locomover devido às grandes distancias a serem percorridas. Dentro do Campus há até um castelo e museus para visitação. Um “trenzinho da alegria” percorre o parque levando os visitantes.

Fotografando a fotógrafa

O Campus da Fundação Oswaldo Cruz, situado na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, fica encostado a comunidade de Manguinhos, que já fora chamada de “Faixa de Gaza” Carioca, devido ao alto índice de violência e hoje é ocupado por uma “Unidade Pacificadora da PM”. A Fundação mantém vínculo com a comunidade, inclusive empregando pessoas da mesma, oferecendo cursos, etc.

A minha participação no evento foi no Sábado, portanto misturou pessoas da comunidade local junto com famílias de todo tipo que saem passear no final de semana.

Minha função era a de “brincar” no meio dos visitantes de forma de forma integrada com o tema “Celebrando o Cérebro”.
Encostei minha bicicletinha na grama e me maquiei ai mesmo, debaixo de uma árvore. Depois liguei o som preso á minha cintura e sai pedalando entre as pessoas. Fiz mímica e toque flauta, mas quem roubou a cena mais uma vez foi a “burrinha”. Fazer o que? É o poder da Cultura Popular..
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A ver com o tema, acabei achando a relação que existe entre mímica e razão, ao rever conceitos como o peso e o contrapeso, o volume, etc. fundamentais para criar nas pessoas a ilusão de estar manipulando objetos determinados.
Como exemplo de intuição, que é quando usamos o lado esquerdo do cérebro, cito a brincadeira que rolou com uns três meninos de aproximadamente quatro anos de idade em que no final eu digo para eles que eu também era criança ao que eles responderam de forma categórica que eu não era não...


O mais legal da atividade foi ter quebrado várias vezes o protocolo, deixando de ser “o mímico”, para conversar com as pessoas, especialmente as da comunidade, fato que ajuda a compreender melhor a realidade deles...


 Link do Site da FIOCRUZ com a programação do evento http://www.museudavida.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=mvida&infoid=1859&sid=22

Link de fotos no face https://www.facebook.com/media/set/?set=a.373926492714054.1073741829.306038282836209&type=3