quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Na trilha de Oscar Wilde

Marcamos a estreia do espetáculo “Do Príncipe Feliz” para Novembro. Temos três meses para preparar-nos, terminar o roteiro, o cenário, os bonecos, ensaiar, etc. Sabemos que a história que já existe dentro de nossos corações vai tornar-se real a partir de começar a apresentá-la. Depois da antiga parceria com Silvia Nery, que acabou em 2004, é minha primeira experiência de um trabalho junto com outra pessoa. Vivian Rau parece ser a companheira ideal, já que é “Mamulengueira”, por tanto, artista popular que nem eu. Para mim está sendo uma oportunidade de aprender dramaturgia, já que estou escrevendo o roteiro, baseado na obra de Oscar Wilde.

A forma como está sendo o processo de criação também é uma novidade, já que é lento e de forma maturada.

No tempo do homem da roça, ruminando que nem boi, vamos nós, devagar, mas, em frente.

Nos finais de semanas continuo apresentando-me nas ruas de Campos do Jordão, aonde vou a improvisar, solto, com meu doido “cavalinho de pau”, fazendo intervenções, na base de rodar o chapéu para os turistas.


Em São José dos Campos, pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo,  realizo uma oficina de Mímica e Improvisação para o Clown, dentro da entidade e também desenvolvo um trabalho no Centro de Convivência dos moradores de rua da cidade, onde sou chamado por eles de “Professor de Música”, já que o que tem funcionado melhor é a batucada, para a qual carrego nos alforjes da minha bicicleta todos os instrumentos de percussão que possuo, além da flauta, a estante de partituras, etc. Com eles estamos também construindo um “Boi Tatá”, que é uma grande cobra de fogo protetora da natureza, baseado numa lenda do folclore brasileiro.

Portão do Centro de Convivência "POP" II, Em São José dos Campos SP

terça-feira, 15 de julho de 2014

Meu Buenos Aires Querido...

Enquanto os argentinos estavam loucos para vir no Brasil para assistir de perto o mundial da FIFA, eu aproveitei a oportunidade para fugir dele e visitar Buenos Aires, minha terra natal, junto a meu filho de treze anos que jamais tinha ido lá.

Como bom artista popular que sou, fui preparado para me apresentar nas praças da cidade portenha, levando minha “burrinha” de carcaça nova, toda bonita e enfeitada, além de uma pequena mala com uma síntese do meu espetáculo.

Chegando lá deparamos-nos com um cenário “literalmente” frio de grande metrópole, onde moram pessoas extremadamente sérias, vestidas de cores discretas, em que as mulheres cuidam da aparência com certo exagero na maquiagem e muitos homens vestem sobretudo.
Como é bonita Buenos Aires, ainda mais no outono e no inverno, com seus prédios antigos, seus grandes parques, seus monumentos, suas esculturas de metal por toda parte. Tivemos o privilégio de visitar o Museu de Belas Artes da cidade, onde estavam expostos quadros de pintores famosos como Renoir, Van Gogh e Monet e várias esculturas de Rodin.

Um fato importante é que em Buenos Aires existem milhares de ciclistas pedalando por ruas e avenidas, onde há bastantes ciclovias. Nos trens que vão para Zona Norte existe uma parte dos vagões que permite transportar as bicicletas. Também há pontos da prefeitura espalhados na cidade em que você pode pegar uma bicicleta emprestada por algumas horas.

Falando da minha performance, digo que consegui fazer alguma coisa só no último dia, antes da volta para o Brasil. Foi bem engraçado, porque descemos do prédio onde ficávamos junto com meu filho, no Bairro chique de Belgrano, eu vestindo meu terno branco com detalhes em chita, o que contrastava totalmente com o resto das pessoas que vestem roupas mais escuras. Eram umas três e meia da tarde. Saímos caminhando pela rua em direção à movimentada Avenida Cabildo, carregando um enorme saco com uma cara de palhaço bordada na frente, onde levamos a “burrinha”. Chegamos numa bonita praça pouco movimentada e sentamos ao pé de um monumento. Havia só algumas pessoas sentadas nos bancos da praça e outras de passagem. Estava frio. Me maquiei ai mesmo, que nem de costume, e depois comecei a me movimentar para esquentar."Brinquei", como sempre o faço, imitando as pessoas que passavam. A coisa tomou corpo mesmo quando apareceram os alunos da escola pública que fica enfrente a praça. Eram crianças pobres de tipo indígena, com certeza filhos dos empregados da gente rica do bairro. Uns eram nascidos no Peru e outros filhos de peruanos. Fiz mímica para eles e depois coloquei a burrinha. Não me deixavam ir embora, pedindo-me para fazer mais uma vez. No final me apresentei, falei que nós morávamos no Brasil, portanto, estávamos de passagem. Eles trouxeram dinheiro que pegaram dos pais e colocaram no meu chapéu. Dever cumprido! é com gente humilde, em homenagem ao meu venerado Oscar Wilde...

Nas escolas públicas de Argentina os alunos vestem avental branco como uniforme



terça-feira, 24 de junho de 2014

Em homenagem a São João

Num Domingo ensolarado, festejamos São João, na apresentação da minha ex-companheira Silvia Nery, no belíssimo Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos- SP.

“O Boi Encantado” conta o enredo em que Catirina, estando grávida, fica com desejo de comer a língua do boi mais bonito da fazenda.
Baseado no auto do Bumba meu Boi do Maranhão, Silvia mantém a atenção da plateia com sua simpatia, suas caretas, sua dança e sua voz. O espetáculo conta ainda com a participação ativa das crianças.

Tendo a trilha sonora executada ao vivo pelo do mestre Denílson de Paula, tive o privilegio de participar dessa apresentação, dando apoio, como músico e brincante.
Grande São João, que trouxe paz a nossos corações e nos fez reviver momentos maravilhosos, em que cantávamos e encantávamos Silvia e eu, quando apresentávamos o espetáculo “A Pastora Marcela”, sendo dois palhaços populares, nas escolas das periferias, tanto de São Paulo Capital, como de São José dos Campos.

Assim como nasce, é batizado e depois morre, para renascer novamente no ano seguinte, a tradição do bumba meu boi representa a roda da vida.

Nascido no “Morro do Querosene”, em São Paulo, e com grande influência do auto do Bumba meu Boi, Diego, filho de Silvia, que também é meu, agradece com certeza o bom convívio dos pais.

Viva São João!!!

Foto de Doris Donini

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Minha "Virada Cultural" do dia a dia...

Nossa! Como trabalhei... Ensaiei durante semanas para me apresentar na Virada Cultural Paulista de São José dos Campos, para a qual meu espetáculo foi selecionado. A minha cozinha virou minha sala de ensaios. Marquei apresentações na Mostra de Teatro Independente em Caraguatatuba e na escola do meu bairro, para ir treinando com público. A cada ensaio fui tomando um aprecio maior pelos objetos do espetáculo. Parece que quando a gente mais se relaciona, mais eles tomam vida.

Na necessidade de uma estrutura que de certa forma me proteja e me fortaleça, tenho ensaiado, fazendo um estudo de ações precisas no espaço, num ritmo determinado, no diálogo direto com a plateia.

Se para existir qualquer tipo de diálogo precisa-se de certa distancia, num diálogo de gestos, o público primeiro tem que entender o código, tanto numa “brincadeira livre” nas ruas como dentro duma história determinada.

A minha vivência de ator tem misturado saídas para rua, onde não existem limites, já que vou ao “Deus dará”, improvisar na no meio das pessoas, com a estruturação de um espetáculo.

Nas ruas vou ao confronto, sabendo que meu trabalho não gera riquezas, já que teatro não é comercio. Me considero um operário teatral...

Acredito que o fato de me sentir tão atraído pelo personagem “mendigo” seja a minha origem pobre e minha luta pelo sustento, como palhaço de rua.

Apaixonei-me pelos livros de Jorge Amado, escritos na década dos ’30, lendo vários livros deles, como “Capitães de Areia”, “O país do Carnaval” e “Cacau”, mas o que mais me marcou foi “Suor”, onde, tendo como cenário um Cortiço, ele mostra a realidade de Salvador nessa época.
Em “suor”, aparece um personagem que mora debaixo da escada, e que é o único que não paga aluguel. Ele tem um ratinho de estimação que nem o meu personagem do “Na Rua”.

Na futura montagem “Do Príncipe Feliz”, junto com minha amiga Vivian Rau, estou adaptando a história de Oscar Wilde para dois personagens mendigos.

Em fim, Charles Chaplin e os moradores de rua, as crianças menores de cinco anos e os cachorros vira-latas, tem sido minha fonte de inspiração, nessa minha sobrevivência através da arte, com altos e baixos...

Primeira versão do espetáculo "Na Rua" - Praça Afonso Pena em S.J.C. - SP, 2006

terça-feira, 6 de maio de 2014

Fim se semana "do Trabalhador"...

Fim de semana “do trabalhador”... Ou tal vez do palhaço ciclista... Caramba, como o corpo aguenta o tranco quando está acostumado. Trabalhei os quatro dias do feriadão do primeiro de maio em São José dos Campos, no Litoral Norte e na Serra da Mantiqueira.
Sim senhores. “Santa bicicleta” aquela que transportou a minha burrinha, a boneca de dançar e o resto das tralhas que utilizo nas minhas interações quando atravessei a cidade e fui brincar na quinta feira lá na festa do trabalhador, na tradicional macarronada, no Bairro do Novo Horizonte, em São José dos Campos. Foram aproximadamente 45 km pedalados, ida e volta, sem contar as horas em que fiquei na festa, fazendo intervenções para o “povão”.
E o que é que o artista popular mais quer, a não ser “brincar” para o povo e ainda ser pago para isso? Agradeço o pessoal do Departamento de Eventos da Prefeitura de São José dos Campos por ter me proporcionado essa oportunidade.


Fila do macarrão no Bairro Novo Horizonte em São José dos Campos
Mais fotos da festa na página do Facebook:

https://www.facebook.com/MimicoAndarilho/posts/520220664751302

Mas isso foi só no primeiro dia do feriado, já que na sexta feira cedo estávamos descendo para o Litoral Norte, meu filho e eu, para participar da terceira edição da Mostra Independente de Teatro, na cidade de Caraguatatuba, viajando de ônibus, levando “nossas bicicletas” no bagageiro, junto aos objetos do espetáculo “Na Rua”, que foi o que apresentamos.

Apresentação do espetáculo "Na Rua" na terceira M.I.T. na cidade de Caraguatatuba
Mais fotos da MIT na página do Facebook:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.519410564832312.1073741833.306038282836209&type=1


No Sábado subi a serra, que nem de costume, para brincar livremente durante o final de semana para os turistas que passeiam na cidade de Campos do Jordão, na base de rodar o chapéu. Levei á burrinha, a flauta, o saco de dormir, o cobertor, os alforjes com meus objetos pessoais, o figurino, a maquiagem, o amplificador, e é claro “A bicicleta”...


bicicleta pronta para atravessar a cidade no dia do trabalhador

terça-feira, 25 de março de 2014

Artista de Rua : Livre como uma Andorinha...


Assim como a andorinha vai atrás do verão, nós vamos atrás de nossos sonhos.

Não nego que fico um pouco chateado por não ter um mínimo de reconhecimento por parte da maioria dos comerciantes nem das autoridades de Campos do Jordão, depois de tantos anos de trabalho, mas não deixo de reconhecer que facilita o fato de ter o meu cantinho onde deixo minhas coisas e também que todos os trabalhadores que nem eu me tratam com carinho, fazendo-me  sentir "em casa". 

O que me faz continuar indo a Campos é o contato com  "meu público" que muitas vezes senta nos bares esperando me ver.

Aconteceram boas novidades na cidade onde eu moro, onde sempre tive um certo reconhecimento "oficial" o qual retribuo cada vez que me apresento em toda cidade onde eu vou, considerando-me um artista de São José dos Campos. Vou dar aula dentro da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, abrindo assim um laboratório de pesquisa de Improvisação teatral, Mímica e Clown durante o ano todo. Participarei também da próxima Virada Cultural Paulista, como artista da cidade.

Agora vou retomar os ensaios do meu espetáculo chamado "Na Rua" onde interpreto um mímico "mendigo" e continuarei o ensaio de um outro no qual estou super envolvido, junto com minha amiga Vivian Rau, sobre o conto "O Príncipe Feliz" de Oscar Wilde. Porque uma "Andorinha só não faz verão"...


Andorinhas




quarta-feira, 5 de março de 2014

São tantos carnavais...

Carnaval é a data para a gente extravasar a nossa felicidade, foi um dos comentários que ouvi ao respeito. Outro foi que é uma festa ridícula que se alastra de geração em geração. Sei lá, eu fico pensando qual é o sentido do carnaval, enquanto vejo pessoas “vestindo” personagens, exteriorizando fantasias, se animando a comportar-se de forma diferente ao que estão habituadas. Isso é realmente bom.

Eu trabalhei no carnaval em Campos do Jordão, como tem sido nos últimos anos. Aliás, como tem sido quase todos os finais de semana do ano inteiro, na base de rodar o chapéu para os turistas.  Meu público fiel, na maioria formada por paulistanos, estava lá. Difícil foi encontrar um canto para conseguir interagir com eles, já que com a “muvuca”, tudo acaba virando lugar de passagem. 

Na urgência de ampliar o leque de opções, esse ano vou dar aulas para á Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, pela primeira vez. Além de retomar minhas apresentações para escolas e viajar para outras cidades, levando meu “Mímico Andarilho”.

O meu maior envolvimento está sendo com Oscar Wilde e sua ironia quando se trata de temas como a Moral e os bons costumes ou a própria “felicidade”. Olha só: -Muita gente age bem –respondeu o moleiro para a mulher-, porém muitos poucos falam bem. O que mostra que falar é mesmo, e de longe, a mais difícil das duas coisas, além de ser a mais requisitada...

“Políticos” a parte, minha maior vontade é terminar de montar o espetáculo sobre conto de Oscar Wilde, junto com minha amiga Vivian Rau, para sair apresentando por ai...

Olha a Cecília de chapéu de Cangaceiro, "montada na burrinha" que fiz para meu filho a 10 anos,
no desfile do Pirô Piraquara, nas ruas de São José dos Campos, SP.