terça-feira, 18 de novembro de 2014

Três Palhaços

 Fechando com chave de ouro a minha Oficina de Improvisação Teatral, Mímica e Clown, que ministrei durante o ano todo, no Espaço Cultural Clemente Gomes, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, SP, apresentamos uma performance num Sarau que aconteceu no mesmo local, no Sábado dia 08 de Novembro, meu filho Diego,  Jean  Alex e eu.

Três palhaços

Na apresentação, que tinha como tema “O sonho de cada um”, “brincamos” com elementos básicos de mímica apreendidos nas aulas, finalizando com Diego tocando Saxofone, eu bongó e Jean dançando bolero com uma boneca minha.
Pela oficina passaram várias pessoas interessadas em teatro e público em geral e contamos com a dificuldade de ela acontecer nas sextas feiras de noite, o que acabou atrapalhando um pouco.
Mas valeu pelo Jean, que além de ser mudo, enfrenta vários problemas de saúde, e ao qual, segundo ele, a oficina ajudou a tornar sua vida mais feliz.
Legal também é a cumplicidade de palhaço que adquirimos nos três no transcurso das aulas e que pode ser visto no final, onde meus meninos se entregaram sem medo de serem felizes...

  
Trio de respeito (rs)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Festa do Dia das Crianças, na Praia Fortaleza em Ubatuba SP

Parece que os moradores nativos das praias vizinhas, Fortaleza e Brava, na cidade de Ubatuba SP, são todos meios parentes, só que uns são católicos e os outros protestantes. O dia das crianças serviu para unir tudo mundo numa festa que teve a participação ativa de uma galerinha adolescente da comunidade que faz aula de fotografia e vídeo e que está criando um documentário sobre a vida das pessoas de lá. 

A festa teve um pouco de tudo: Gincana, Contação de histórias, Pipoca, balas, Show de sanfona e a minha participação. 

Como é bom unir o útil ao agradável...

Obrigado Thais Taniguti e galerinha do projeto "Caiçara criativo".



Foto de Jussara Guimarães
Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino

Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanjá

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar
Yemanja Odoiá Odoiá



Dorival Caymmi  (Caminhos do mar)



terça-feira, 9 de setembro de 2014

"Ação Brincante" no FESTIVALE 2014


Acabei de realizar minha atividade de quatro dias de intervenções pelos bairros de São José dos Campos com o projeto que chamei "Salve o Brincante", mas acho que o nome mais apropriado teria sido "Ação Brincante".


Dessa vez optei em sair da forma mais leve possível, como mímico-palhaço, montado na minha bicicletinha “Berlineta”, levando minha própria trilha sonora de banda "big ben" de rua amplificada a minha caixinha de cintura. Funcionou muito bem. Minha proposta foi o clown puro solto no meio do povo. Saindo de um ponto determinado  ia realizando intervenções com as pessoas que encontrava pelo caminho e de vez em quando parava e fazia mini espetáculos. No final me apresentava e aproveitava para divulgar o festival.

O Clown puro é o palhaço que mora dentro de cada um de nós. Ficando em equilíbrio, a comunicação se estabelece desde um ponto zero que consiste em não se fazer nada, ficando totalmente neutro. A partir de ai começa um jogo de ação e reação onde se improvisa junto com o público. Parece fácil mas é extremadamente difícil, já que a tendência natural é pensar.

Foto de Fernando Carvalho

Quando se vai brincar com um grupo de pessoas que estão no seu habitat natural, acaba tendo que se lidar com o comportamento social. Teve momentos muito bons, como um em que quase entrei dentro de um ônibus com minha bicicleta carregada de coisas. Depois apostei corrida com o motorista. A plateia era formada pelas  pessoas que estavam no ponto. 

No Parque da Cidade, teve uma criança que ficava me imitando, dançando de forma desengonçada que nem eu. Eu me mostrei chateado, peguei a bicicletinha e fui em cima dele. Ele saiu correndo de verdade, mas depois achou engraçado.  Seguidamente fiz um jogo com bola imaginária com um pai e um filho que estavam jogando futebol, mostrando o trajeto da bola em mímica. As pessoas riam muito. Tudo o que ia acontecendo somava com o jogo anterior. O jogo de improviso costuma durar aproximadamente uns vinte minutos, desde que começa a rolar, passando pelo seu ápice até a culminação de forma espontânea. Assim acontece quando vou rodar o chapéu nas ruas.

Foto de Fernando Carvalho

Uma coisa que deu para confirmar é que para o jogo acontecer melhor é preciso que exista um espaço físico livre em que as pessoas consigam enxergar as cenas  e facilite à interação com público. Na feira livre de Santana, por exemplo, acabou “rolando” porque era “fim de feira”...

No Brasil, "Brincantes" são por exemplo, os personagens do Bumba meu boi. Eu represento "a burrinha", personagem do auto, onde acabo misturando a técnica de mímica européia com o jogo de improviso que aprendi nas ruas, em quase três décadas de experiência.



terça-feira, 2 de setembro de 2014

"Esperando Godot"

Lendo “Esperando Godot” de Samuel Beckett, me surge a imagem dos personagens do cinema mudo e do meu próprio personagem nas ruas. Um errante, um perdido, alguém que caiu de paraquedas não se sabe bem de onde. O certo é que tenho sobrevivido dessa atividade há tanto tempo e ainda sobrevivo. Só preciso do espaço adequado para a “brincadeira” é de um bom estado de ânimo que tudo se resolve para mim em matéria econômica. Ao menos consigo pagar as minhas contas. Aparentemente as bancas que selecionam espetáculos em diferentes Editais não dão tanto  valor assim a atividade do improvisador de rua, já que tenho tido certa dificuldade em encaixar meus projetos. O conceito que eles mais falam é o de “Excelência Artística”, o que me leva a entender que apesar da contemporaneidade da nossa época, ainda prevalece o lado mais conservador de um formato fechado, com começo, meio e fim. De acordo com amigos eu devia vender o que faço de melhor que é a interação com o público. Assim tenho participado de vários projetos com meu “Mímico Andarilho” e participarei a partir dessa sexta feira dia 05 de Setembro da edição Número 29 do FESTIVALE, Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba, realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, na cidade onde moro, São José dos Campos. Minha atividade chamada “Salve o Brincante” consiste em percorrer diferentes bairros da cidade brincando com as pessoas nas ruas enquanto divulgo o festival.

Lá vamos nós...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Na trilha de Oscar Wilde

Marcamos a estreia do espetáculo “Do Príncipe Feliz” para Novembro. Temos três meses para preparar-nos, terminar o roteiro, o cenário, os bonecos, ensaiar, etc. Sabemos que a história que já existe dentro de nossos corações vai tornar-se real a partir de começar a apresentá-la. Depois da antiga parceria com Silvia Nery, que acabou em 2004, é minha primeira experiência de um trabalho junto com outra pessoa. Vivian Rau parece ser a companheira ideal, já que é “Mamulengueira”, por tanto, artista popular que nem eu. Para mim está sendo uma oportunidade de aprender dramaturgia, já que estou escrevendo o roteiro, baseado na obra de Oscar Wilde.

A forma como está sendo o processo de criação também é uma novidade, já que é lento e de forma maturada.

No tempo do homem da roça, ruminando que nem boi, vamos nós, devagar, mas, em frente.

Nos finais de semanas continuo apresentando-me nas ruas de Campos do Jordão, aonde vou a improvisar, solto, com meu doido “cavalinho de pau”, fazendo intervenções, na base de rodar o chapéu para os turistas.


Em São José dos Campos, pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo,  realizo uma oficina de Mímica e Improvisação para o Clown, dentro da entidade e também desenvolvo um trabalho no Centro de Convivência dos moradores de rua da cidade, onde sou chamado por eles de “Professor de Música”, já que o que tem funcionado melhor é a batucada, para a qual carrego nos alforjes da minha bicicleta todos os instrumentos de percussão que possuo, além da flauta, a estante de partituras, etc. Com eles estamos também construindo um “Boi Tatá”, que é uma grande cobra de fogo protetora da natureza, baseado numa lenda do folclore brasileiro.

Portão do Centro de Convivência "POP" II, Em São José dos Campos SP

terça-feira, 15 de julho de 2014

Meu Buenos Aires Querido...

Enquanto os argentinos estavam loucos para vir no Brasil para assistir de perto o mundial da FIFA, eu aproveitei a oportunidade para fugir dele e visitar Buenos Aires, minha terra natal, junto a meu filho de treze anos que jamais tinha ido lá.

Como bom artista popular que sou, fui preparado para me apresentar nas praças da cidade portenha, levando minha “burrinha” de carcaça nova, toda bonita e enfeitada, além de uma pequena mala com uma síntese do meu espetáculo.

Chegando lá deparamos-nos com um cenário “literalmente” frio de grande metrópole, onde moram pessoas extremadamente sérias, vestidas de cores discretas, em que as mulheres cuidam da aparência com certo exagero na maquiagem e muitos homens vestem sobretudo.
Como é bonita Buenos Aires, ainda mais no outono e no inverno, com seus prédios antigos, seus grandes parques, seus monumentos, suas esculturas de metal por toda parte. Tivemos o privilégio de visitar o Museu de Belas Artes da cidade, onde estavam expostos quadros de pintores famosos como Renoir, Van Gogh e Monet e várias esculturas de Rodin.

Um fato importante é que em Buenos Aires existem milhares de ciclistas pedalando por ruas e avenidas, onde há bastantes ciclovias. Nos trens que vão para Zona Norte existe uma parte dos vagões que permite transportar as bicicletas. Também há pontos da prefeitura espalhados na cidade em que você pode pegar uma bicicleta emprestada por algumas horas.

Falando da minha performance, digo que consegui fazer alguma coisa só no último dia, antes da volta para o Brasil. Foi bem engraçado, porque descemos do prédio onde ficávamos junto com meu filho, no Bairro chique de Belgrano, eu vestindo meu terno branco com detalhes em chita, o que contrastava totalmente com o resto das pessoas que vestem roupas mais escuras. Eram umas três e meia da tarde. Saímos caminhando pela rua em direção à movimentada Avenida Cabildo, carregando um enorme saco com uma cara de palhaço bordada na frente, onde levamos a “burrinha”. Chegamos numa bonita praça pouco movimentada e sentamos ao pé de um monumento. Havia só algumas pessoas sentadas nos bancos da praça e outras de passagem. Estava frio. Me maquiei ai mesmo, que nem de costume, e depois comecei a me movimentar para esquentar."Brinquei", como sempre o faço, imitando as pessoas que passavam. A coisa tomou corpo mesmo quando apareceram os alunos da escola pública que fica enfrente a praça. Eram crianças pobres de tipo indígena, com certeza filhos dos empregados da gente rica do bairro. Uns eram nascidos no Peru e outros filhos de peruanos. Fiz mímica para eles e depois coloquei a burrinha. Não me deixavam ir embora, pedindo-me para fazer mais uma vez. No final me apresentei, falei que nós morávamos no Brasil, portanto, estávamos de passagem. Eles trouxeram dinheiro que pegaram dos pais e colocaram no meu chapéu. Dever cumprido! é com gente humilde, em homenagem ao meu venerado Oscar Wilde...

Nas escolas públicas de Argentina os alunos vestem avental branco como uniforme



terça-feira, 24 de junho de 2014

Em homenagem a São João

Num Domingo ensolarado, festejamos São João, na apresentação da minha ex-companheira Silvia Nery, no belíssimo Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos- SP.

“O Boi Encantado” conta o enredo em que Catirina, estando grávida, fica com desejo de comer a língua do boi mais bonito da fazenda.
Baseado no auto do Bumba meu Boi do Maranhão, Silvia mantém a atenção da plateia com sua simpatia, suas caretas, sua dança e sua voz. O espetáculo conta ainda com a participação ativa das crianças.

Tendo a trilha sonora executada ao vivo pelo do mestre Denílson de Paula, tive o privilegio de participar dessa apresentação, dando apoio, como músico e brincante.
Grande São João, que trouxe paz a nossos corações e nos fez reviver momentos maravilhosos, em que cantávamos e encantávamos Silvia e eu, quando apresentávamos o espetáculo “A Pastora Marcela”, sendo dois palhaços populares, nas escolas das periferias, tanto de São Paulo Capital, como de São José dos Campos.

Assim como nasce, é batizado e depois morre, para renascer novamente no ano seguinte, a tradição do bumba meu boi representa a roda da vida.

Nascido no “Morro do Querosene”, em São Paulo, e com grande influência do auto do Bumba meu Boi, Diego, filho de Silvia, que também é meu, agradece com certeza o bom convívio dos pais.

Viva São João!!!

Foto de Doris Donini