segunda-feira, 8 de junho de 2015

A permeável arte de rua...

Acabei de receber um contato da TV Record para uma possível participação minha num quadro com artistas de rua que competem para ganhar um prêmio de mil e quinhentos reais. Assisti a vários programas no Youtube para saber de que se trata e juro que me decepcionei o bastante. A TV é um forte meio que acaba influenciando de certa forma o comportamento das pessoas. Precisa se ter muito cuidado de como lhe dar com a TV, porque assim como ela tem o poder de enaltecer, também tem o poder de vulgarizar. A gente acaba correndo o risco de cair na mentalidade paternalista da sociedade

A arte de rua é por sim própria, independente de qualquer meio de comunicação, e é isso o que a torna “Livre”. No meu caso, como imagino que o seja para outros, é uma opção é não uma falta de oportunidade. Acredito na minha arte porque confronta de alguma forma o comportamento social, portanto, questiona. O fato de ter que me esforçar para quebrar o ritmo natural das coisas para conseguir o resultado esperado na rua acaba dando o sentido real ao trabalho. Ou seja, surpreender, tornar o momento mágico... Os ganhos são uma conseqüência natural desse processo.

Fiquei muito feliz com minha participação na Virada Cultural Paulista Regional 2015, dentro do SESC de São José dos Campos, especialmente porque eles me colocaram para “brincar” de forma solta, que nem na rua, o que fez que tudo fluísse de forma espontânea.

Lá estava eu no banner da programação do SESC com a foto do meu amigo Fernando Carvalho. Senti-me realmente valorizado. Das ruas para o SESC, ou para a programação de qualquer ente institucional e de volta para as ruas. Isso é o que eu quero.


Foto de Sérgio Seabra

A propósito, com minha amiga Vivian Rau e o nosso “Mamulengo Andarilho”, realizaremos duas apresentações do espetáculo “O Príncipe Feliz” na casa de Cultura Flávio Craveiro da FCCR na nossa cidade, São José dos Campos, nas próximas duas sextas feiras, 12 e 19 de Junho, para o público adulto que estuda em colégios supletivos do bairro. Vai ser numa sala de espetáculos que tem lá, na qual eu sempre tive vontade de me apresentar. Vamos aproveitar a oportunidade para filmar a história para anexar ao material dos editais do FESTIVALE e do Litoral Em Cena...


Foto de Edimara Soares Gonçalves


https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1626828147559906.1073741831.1569688376607217&type=3

Vamos em direção a luz que nem andorinhas...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Chegar perto...

Consegui um pequeno apoio em Campos do Jordão no aniversário de trinta anos do Shopping Boulevard Geneve, o que me permite trabalhar mais tranqüilo, sem ter que depender tanto do chapéu...

Conto também a ajuda dos meus amigos do restaurante “Cacerola”, que me acolhem na cidade já faz algum tempo.

Chegar perto, tentar entender o outro, dialogar. Na rua, um terreno árido onde aparentemente se dá melhor quem é mais experto. A rua não é diferente dos outros meios, com certeza, digamos que é o mais evidente...

Estando “Na rua”, ficando com meu clown “exposto”, a minha tarefa consiste em “Brincar”. Pode parecer simples, mas requer de uma grande disposição e energia, especialmente quando se está no meio da multidão. Como em todo diálogo, a interação flui melhor quando há uma certa distancia que facilite a ação e a resposta da plateia. As crianças continuam sendo as mais espontâneas. O mais legal é o papo com as pessoas no meio das brincadeiras, como por exemplo, o que tive com um senhor em que, ao eu imitar sua barriga na rua, ele me perguntou se eu também tinha hérnia. Eu respondi que eu não via a sua hérnia e sim sua barriga (rs).

Horas mais tarde, continuando nossa conversa, fiquei sabendo que o senhor de quase setenta anos era médico cirurgião e que sua maior preocupação era ter que operar da tal hérnia, já que conhecia perfeitamente o risco de uma possível cirurgia...


Foto de Tadeu Sales (Feriadão do 21 de Abril em Campos do Jordão)

terça-feira, 7 de abril de 2015

Apresentação no Centro da Juventude, em homenagem ao Circo

Imaginem um palhaço, que vive da interação, ter que apresentar num Domingo de manhã seu espetáculo com enredo crítico para um público de crianças pequenas sentadas em puffs, acompanhadas dos seus pais que acabaram de acordar...

O lugar da apresentação é realmente muito bonito e a reação das pessoas bem escassa.
Ainda a atividade, que foi realizada no Centro da Juventude, em São José dos Campos, foi anunciada como “Show de mímica”, quando em realidade tratava-se do meu espetáculo chamado “Na Rua”, onde o personagem, a pesar de ser mímico, tem vestes de mendigo.

"Pic nic da leitura"

Em fim, os dias nem sempre são tão brilhantes para a gente. Por sorte eu sou artista de rua, portanto, minha especialidade é sair do protocolo, é foi assim que aconteceu mais uma vez.

Então, mudei o esquema e o ritmo estabelecido. Catei minha “burrinha” e fui para o meio da galera, fiz o pessoal levantar e pular corda imaginária. Em fim, dei um giro de noventa graus e terminei a história para cima, que é disso que se trata. Especialmente quando era eu quem estava fechando a programação do mês em homenagem ao circo...

O raia o sol, suspende a lua. Olha o palhaço no meio da rua...

O show não pode parar...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Espetáculo “Na Rua”, sempre atual...


 Em finais de 2006 nascia o espetáculo “Na Rua”, impulsionado pelo meu humilde desejo de querer passar uma mensagem sobre a importância de se preservar o Meio Ambiente em que vivemos. Optei por incorporar-me ao universo das pessoas que vivem nas ruas, as quais eu observava passar, quando morava numa antiga casa, no Bairro Jardim Bela Vista, na região central de São José dos Campos, SP, já que elas ficam expostas a tudo (aos fatores climáticos, á fome, á violência, etc.).
Nascia meu personagem mendigo, fazendo uma paródia sobre minha profissão de “Artista de Rua”, com a qual, acabo dependendo, em partes, da vontade alheia para conseguir o meu sustento.
Apesar de eu ser mímico, o figurino, rasgado e colorido, propõe um personagem palhaço-mendigo. Um Clown dramático, ingênuo e romântico, porém interativo e engraçado.



“Na Rua” já foi apresentado em dezenas de lugares. Projetos de Secretarias do Estado da Cultura e Secretarias Municipais, em duas edições do FESTIVALE, em São José dos Campos, pelo SESC, em Escolas de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, na Virada Cultural Paulista, etc.
Atualmente ele utiliza como cenário um simples poste com cruzamento de duas ruas (á da “Tristeza” e á da “Alegria”), onde o personagem se situa para interagir com a plateia, e uma grande mala antiga, onde carrega os adereços que compõem o “Seu mundo” (Uma sombrinha velha, uma estante com partituras, um quando de Chaplin e seu personagem “Carlitos”, um banquinho minúsculo, uma flauta transversal, um globo terrestre inflável, etc.).
Apesar do seu nome, “Na Rua” é um espetáculo intimista e funciona melhor em pequenas salas de espetáculos ou auditórios que facilitem a proximidade com o público, já que não possui palavras, só gestos e alguns efeitos sonoros incorporados a cena.









quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"Como Andorinhas"...

Assim como as Andorinhas voam atrás do sol, nos seguimos nossos sonhos...

Seja brincando espontaneamente com as pessoas nas ruas, montando peças de teatro, espetáculos de poesia, shows musicais, etc. O verdadeiro artista é aquele que cria por instinto, por impulso vital. Como diz o escritor João Maria Rilke no seu livro "Cartas a um Jovem Poeta": - Escreva no momento em que a necessidade seja maior do que qualquer coisa. 

“Cria se o que não se tem”, diz o escritor Ernesto Sábato.  Tal vez artistas e cientistas tenham uma função parecida dentro da sociedade, que é a de projetar, refletir, procurar saídas e soluciones.

Nós lutamos. Às vezes somos reconhecidos e outras nem tanto. Sobrevivemos, especialmente os que tiramos nosso sustento através da arte. Temos a vantagem de fazer nosso próprio horário, de ter tempo para pensar, de sermos autônomos e de termos que ser sempre um pouco crianças.

Tomara que o ano de 2015 seja tão frutífero como o está sendo esse de 2014.

Nós, com minha nova companheira de trabalho Vivian Rau, vamos de Oscar Wilde, porque "Uma Andorinha só não faz verão"...

"A História do Príncipe Feliz"

Um feliz Natal e um Próspero Ano novo para todos os amigos e colegas que lutam que nem a gente. 

https://www.facebook.com/pages/Mamulengo-Andarilho-Teatro-Popular/1569688376607217?fref=ts

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Três Palhaços

 Fechando com chave de ouro a minha Oficina de Improvisação Teatral, Mímica e Clown, que ministrei durante o ano todo, no Espaço Cultural Clemente Gomes, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, SP, apresentamos uma performance num Sarau que aconteceu no mesmo local, no Sábado dia 08 de Novembro, meu filho Diego,  Jean  Alex e eu.

Três palhaços

Na apresentação, que tinha como tema “O sonho de cada um”, “brincamos” com elementos básicos de mímica apreendidos nas aulas, finalizando com Diego tocando Saxofone, eu bongó e Jean dançando bolero com uma boneca minha.
Pela oficina passaram várias pessoas interessadas em teatro e público em geral e contamos com a dificuldade de ela acontecer nas sextas feiras de noite, o que acabou atrapalhando um pouco.
Mas valeu pelo Jean, que além de ser mudo, enfrenta vários problemas de saúde, e ao qual, segundo ele, a oficina ajudou a tornar sua vida mais feliz.
Legal também é a cumplicidade de palhaço que adquirimos nos três no transcurso das aulas e que pode ser visto no final, onde meus meninos se entregaram sem medo de serem felizes...

  
Trio de respeito (rs)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Festa do Dia das Crianças, na Praia Fortaleza em Ubatuba SP

Parece que os moradores nativos das praias vizinhas, Fortaleza e Brava, na cidade de Ubatuba SP, são todos meios parentes, só que uns são católicos e os outros protestantes. O dia das crianças serviu para unir tudo mundo numa festa que teve a participação ativa de uma galerinha adolescente da comunidade que faz aula de fotografia e vídeo e que está criando um documentário sobre a vida das pessoas de lá. 

A festa teve um pouco de tudo: Gincana, Contação de histórias, Pipoca, balas, Show de sanfona e a minha participação. 

Como é bom unir o útil ao agradável...

Obrigado Thais Taniguti e galerinha do projeto "Caiçara criativo".



Foto de Jussara Guimarães
Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino

Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanjá

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar
Yemanja Odoiá Odoiá



Dorival Caymmi  (Caminhos do mar)