quarta-feira, 27 de abril de 2016

Feriadão de Tiradentes em Campos do Jordão

Sim, não está nada fácil. É claro que com tudo o que está acontecendo no país, que está submergido numa profunda crise econômica, política, moral, etc. o ânimo das pessoas, nas ruas, não podia ser dos melhores. Inclusive o meu ânimo, sabendo que no geral, meus conceitos são diferentes dos do público que frequenta Campos do Jordão.

Arte da convivência. Como palhaço, acabo acreditando no ser humano, independente da sua condição econômica. No meu trabalho de interação, no qual fico solto, “brincando” no meio do povo, a relação mais forte e verdadeira acontece com as crianças bem pequenas, que são as que menos entendem do “social”, portanto, as mais espontâneas. Elas são muitas vezes as que devolvem a alegria que alguns adultos me tiram...

Foto de Fernando Carvalho


Uma coisa interessante que rola no meio do trabalho é o diálogo com algumas pessoas.

Um grupinho de jovens que tinha curtido bastante a brincadeira, vendo a reação de outros que ficaram sérios, me disse: “O brasileiro anda meio chato”...

Um casal, que estava sentado numa mesa de um restaurante, depois de dar-me vinte reais, me disse: “Brasil precisa de gente que traga alegria como você o faz”...

Uma conhecida que trabalha numa loja de venda de chocolates, disse em tom pessimista: “A internet fez as pessoas menos bacanas”. Acho que ela se referia a falta de comunicação.


Falando em internet. Um grupo de professoras de educação artística do ensino fundamental me deu uma dica interessante para entender porque muitas vezes as crianças ficam coladas em mim quando estou na rua, o que acaba atrapalhando meu serviço. Elas disseram que é por causa da convivência quase exclusivamente com a tela, seja do computador, do celular, etc. onde elas ficam “coladas” e inclusive acabam interagindo.

Uma coisa legal que aconteceu nesses dias é que meu projeto do "Mímico Andarilho na estrada" foi um dos 11 selecionados pela "Incubadora de Artistas" da cidade de Atibaia e fará parte da programação do "Ocupa Atibaia"  durante um final de semana na cidade, junto a grafiteiros, muralistas, contadores de histórias, etc.

http://www.incubadoradeartistas.com.br/?red=http%3A%2F%2Fwww.incubadoradeartistas.com.br%2Fnoticia.php%3Fid%3D169%26sd%3Dfalse&sd=false

quarta-feira, 30 de março de 2016

Arte Independente

Em época de crise a primeira coisa que o governo e as empresas cortam são os subsídios a manifestações artísticas. Esse ano, por exemplo, não terá “Virada Cultural Paulista”, da qual participei das últimas duas edições e o “Festival Literário da Mantiqueira” será realizado de forma independente, com a iniciativa da comunidade de São Francisco Xavier junto com artistas da região.

Se em São José dos Campos a prefeitura parou de contratar eventos artísticos, imagine como será em municípios de menor porte, inclusive tratando-se de ano de eleições para prefeito. A Fundação Cultural de São José, por exemplo, tem destinada verba só para ganhadores dos Editais “Circulação” e do “Fundo Municipal de Cultura”. 

O que me resta é esperar a maré da crise política passar para concretizar o meu anseio que é viajar mais. Por enquanto, o jeito e virar-me  no chapéu, como sempre fiz, trabalhando de forma independente para os turistas que frequentam Campos do Jordão.

Lugar turístico é mais o menos assim, as pessoas ficam sentadas em bares e restaurantes, ou então andando, tirando fotos de tudo e se mostrando, formando juntas um mesmo bolo de gente. É por causa disso que as minhas apresentações acontecem melhor quando o lugar está mais vazio, como foi no último feriado da Páscoa, onde acabei conseguindo meu objetivo só nos últimos dois dias, em que estava mais tranqüilo para interagir. 

Fiquei “brincando” como mímico, em meio a crianças, adolescentes, adultos, idosos, cachorros, policiais, vendedores de bilhetes de loteria, etc. conseguindo agradar todos eles.



Me senti a própria raposa na fábula "A corte do Leão" de La Fontaine, que tem como moral da história, o seguinte:



"Se acaso na corte puderes entrar,
Faz sempre teu jogo com pau de dois bicos,
Terás a certeza de ali agradar"...





Como prêmio consolo, tive o privilégio de assistir a vários filmes de arte no Cine Clube Araucária, iniciativa do Senhor Cervantes e de outros cinéfilos moradores de Campos. O que mais gostei foi “Séraphine”, belo filme co-produção Franco-Belga dirigida por Martin Provost, que conta a história da desconhecida pintora autodidata Séraphine Senlis.

O Cine Clube Araucária acontece pelo geral no Espaço Cultural Dr. Além (Antigo Cine Glória) situado na Avenida Doutor Januário Miraglia 1462, Vila Abernéssia, Campos do Jordão, SP.

Maiores informações sobre a programação:
https://www.facebook.com/cineclube.araucaria?fref=ts

Cartaz do filme


terça-feira, 15 de março de 2016

Atividade no "Teatro da Aldeia" em São José dos Campos

Entre a tristeza e a alegria,
Entre o medo e a fé,
Perambula meu sorriso de palhaço...
Vou para as ruas,
Sendo impulsionado por uma louca emoção infantil.
Sou ingênuo,
Fico exposto,
Muitas vezes a deriva.
As crianças pequenas são minhas cúmplices e minhas aliadas,
Nessa aventura do incerto.
“Andarilho do nariz vermelho”,
Tendo como ferramenta simplesmente o meu corpo,
Sobrevivo muitas vezes da vontade alheia,
Recolhendo meus ganhos no chapéu ou na minha caneca,
como faço agora com vocês...

Esses versos, recitados no final de “As Peripécias do Mímico Andarilho” eu os escrevi a pedido de Adriana Barja, que foi quem me orientou nessa nova aventura de reformulação de espetáculo, que culminou com uma apresentação seguida de um Workshop realizado no “Teatro da Aldeia”, onde ela é uma das responsáveis.

Como o tenho feito em várias cidades do Cone Leste Paulista, pela Secretaria do Estado da Cultura, ao longo desses anos, desde 2009, essa atividade de “Formação de Público” atingiu alunos de nível intermediário de teatro.

Foto de Adriana Barja

Legal também foi o debate após o espetáculo onde rolaram perguntas interessantes, como a de uma moça, que quis saber qual era a diferencia de apresentar no Brasil a  de faze-lo na Argentina, a qual respondi que nenhuma, que a real diferença é a de você apresentar para gente pobre ou para gente com um poder adquisitivo maior. Comentei de que no Brasil o povo da periferia é bem parecido, seja no Estado de São Paulo ou no Maranhão, por exemplo.

Minha intenção é que essa atividade seja um pontapé inicial para uma nova etapa na qual pretendo viajar mais, levando meu trabalho para diferentes cidades, me apresentando tanto em lugares fechados de um jeito formal, como na rua, de forma espontânea, como o faço em Campos do Jordão.


Foto de Renato David oliveira

Segundo Adriana, o espetáculo tem potencial para ser apresentado em palco, mas eu pretendo dar umas palinhas dele nas ruas, apresentando-me como “palhaço flautista” e deixando fluir elementos da história junto ao improviso livre com o público.

Mas fotos sobre a atividade:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.824056571034375.1073741840.306038282836209&type=3&uploaded=14


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Espetáculo Interativo de Viagem

“As Peripécias do Mímico Andarilho”

Aproveitando as cenas que funcionam do meu espetáculo chamado “Na Rua”, mantendo e reforçando a mensagem do mesmo, e, ainda, contando com a colaboração da minha amiga palhaça e atriz Adriana Barja, que está orientando essa nova “Andança”...

“As Peripécias do Mímico Andarilho” traz consigo um anseio antigo, que é o de ter uma estrutura com pouquíssimos recursos, que permita locomover-me com maior facilidade, valorizando mais a expressão através do corpo e incorporando elementos da cultura popular, como o são o chorinho, o samba e as valsas populares.

O  link abaixo é de um improviso, tocando flauta, que realizei nas ruas de São José dos Campos, há um tempo atrás...

Estou estudando um repertório utilizando bases gravadas por músicos de  regional de choro que o amigo Flautista Paulinho, de Ubatuba, deixou e eu acabei pegando com seu filho, Rafa. O choro, assim como o jazz tem tudo a ver com o meu trabalho, já que é totalmente rítmico e proporciona o improviso.

O Espetáculo:

“As Peripécias do Mímico Andarilho”, apresenta uma paródia sobre a figura do palhaço popular que se enche de ânimo para chamar a atenção e estabelecer um diálogo com as pessoas nas ruas através do jogo do improviso livre, tendo como cenário o cruzamento da “Rua da Tristeza” com a “Rua da Alegria”.

Foto de André Marchezinni

  
O espetáculo “As Peripécias do Mímico Andarilho” junto à “Ação Brincante, com o Mímico Andarilho” faz parte do projeto “Mímico Andarilho na estrada”, que pretende levar a linguagem do palhaço popular para diferentes regiões do estado de São Paulo e outros estados do Brasil.


Deixo a continuação os links de dois vídeos gravados já faz um tempo que mostram a interação com o público, tanto na “Ação Brincante”, como no Espetáculo.

O primeiro é de espetáculo realizado durante o FESTIVALE, em São José dos Campos, SP,


O Segundo é uma edição de uma filmagem que realizei eu mesmo junto com o público de Campos de Jordão.


Mais informações, na página do Facebook:
https://www.facebook.com/MimicoAndarilho/

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"Na Estrada"

Dizem que viajar fortalece o coração, pois trilhar novos caminhos faz esquecer o anterior... (Litto Nebbia)

Viajar, sair por aí levando a alegria do palhaço popular. Conhecer lugares e pessoas diferentes. Mudar de ares, realizando tanto minhas intervenções espontâneas de rua como apresentando o espetáculo “As Peripécias do Mímico Andarilho”. A “Burrinha”vai comigo, já que tem sido a minha grande parceira de brincadeira.

Estou querendo ir, por exemplo, para o Planalto Central e, quem sabe, dar um pulo no Mato Grosso, no Pantanal...

Quando cheguei ao Brasil, na década de ’80, nos dois primeiros anos, fui nômade, ficando no máximo três meses em cada lugar, vivendo das minhas brincadeiras espontâneas como mímico-palhaço popular. 

Comecei pelo Nordeste, depois fui para Minas, passando por Brasília e indo para o Rio. Fui para o Sul, estive em Curitiba, mas no paralelo ’30, “Porto Alegre”, parei, pois era minha sina... Morei lá três anos, e me fiz conhecido com minhas apresentações no calçadão. Isso foi na época do Plano Collor. As pessoas tensas e eu quebrando o gelo,para deixá-las tenras...

Em estilo jazzístico tenho levado minha vida.  enfrentado o povo e transformando crise em alegria
Não sobra muito, mas nada falta. Cumprindo minha parte, na arte, como meu coração manda...

São José dos Campos, SP é o meu endereço e o meu Porto. Daqui eu saio e aqui eu vorrto.


Mímico Andarilho em trânsito...


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Experiência bacana no dia do aniversãrio da cidade de São Paulo

Olha só, fui resgatado de um final de semana não tão bom em Campos do Jordão pelo pessoal de uma agência de publicidade localizada em São Paulo que precisava de um mímico para realizar um material de amostra de campanha para um possível cliente deles. Isso, justo na data do aniversário da Metrópole. Acabei trocando a montanha pela cidade grande num mesmo Feriadão. Imagina a diferença entre estar livre e solto na rua para "brincar" com o povo e estar dentro de um estúdio localizado na sala de um apartamento tendo aproximadamente um metro e cinquenta por oitenta centímetros para movimenta-se, realizando um trabalho estritamente técnico.


"O Mini Palco"

Ao principio  foi meio estranho, mas depois, na medida que o corpo foi aquecendo, tudo começou a fluir com naturalidade. Vieram todos aqueles recursos do mímico, as dicas de Eduardo Coutinho, os olhares espontâneos da rua, etc. Um exercício meio que matemático que serviu para afirmar á importância  tanto do treino do corpo para aprimorar a técnica, como do treino da repetição para melhorar as cenas.



Caretas e bocas 2016 



E vamos trabalhar...

domingo, 17 de janeiro de 2016

Festival de Janeiro, "Teatro para criança é o maior barato", São José do Rio Preto, SP



Experiência legal essa de participar de festivais de teatro. Você assiste a espetáculos das mais diversas linguagens de grupos de várias cidades do Brasil, inclusive de outros estados. É incrível ver tanta gente que batalha pelo aprimoramento e divulgação do seu trabalho, viajando centenas de quilômetros, pelo geral com condução própria, carregando elenco, cenários, etc.


“São José do Rio Preto respira teatro”, foi o que uma moça me disse, já que ali acontecem vários festivais, inclusive um internacional...

Talvez isso explique a qualidade dos grupos da região, entre os quais estão a própria “Cia Fábrica de Sonhos", organizadora do evento.

Os grupos de São Paulo e Região do ABC, participantes do festival, pelo geral são formados por gente jovem que estudou ou estuda  na Escola SP de Teatro, na Escola Livre de Santo André,  na EAD ou na ECA da USP.

Eu dei prioridade á programação infantil e tive o prazer de me deliciar tanto com espetáculos que incentivam a exploração da palavra e o uso da poesia ás crianças, como  com outros de linguagem circense e de teatro de Mamulengo. 

Mamulengo "Sem Fronteiras", foto de Sérgio Menezes

A minha atividade na programação do festival foi a “Ação Brincante”, com a qual realizei percursos “brincando” pela ruas da cidade com meu personagem “Mímico Andarilho”,  pedalando minha bicicletinha, que nem o tenho feito em outros festivais.


Foto de Sérgio Menezes

Deu até para testar minha nova estrutura de espetáculo, onde me apresento como palhaço flautista. E não é que tantas horas de estudo de música estão começando a dar resultado...?

https://www.facebook.com/MimicoAndarilho/?fref=ts