quarta-feira, 19 de maio de 2021

Vacinado!

 

Finalmente, Vacinado!

Quatorze meses se passaram desde que realizei a última apresentação “presencial” e tenho mais é que agradecer por ter chegado até aqui sem ter contraído essa doença que tem deixado rasto de dor e perda para tanta gente.

Tenho a sorte de ter recebido o apoio tanto de amigos como de instituições como a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que está dando suporte para a classe artística da cidade em que moro, inclusive, pagando para passar espetáculos já gravados de forma online na plataforma deles.

O novo desafio em tempos pandémicos tem sido lhe dar com um novo tipo de formato de apresentação que se limita a tela de um notebook ou celular.

Uma das vantagens da internet e a possibilidade de incluir a participação pessoas que se encontram em diferentes lugares do mundo. Isso aconteceu no mês de março, na VI Mostra de Mímica Contemporânea - Corpo Bienal III, organizada pelo Núcleo Angatu da cidade de São Paulo, da qual tive a honra de fazer parte como “Mímico-Palhaço” de rua.

Link da Mostra no Youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLhI4fFvIefwkr9yXnu_LjavpiY0L9hhv_

Enquanto à linguagem, a pandemia me trouxe a descoberta do vídeo documentário como uma forma de manter vivo meu labor de intercomunicador das ruas. Acabamos de estrear “De Bela Vista a Santana, Redescobrindo São José com o Mímico Andarilho”, que é produto de contrapartida do Edital “Culturas Populares e/ou Artes de Rua”, do Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos, SP.

Link de vídeo documentário:  https://www.youtube.com/watch?v=Ac_el1inpgA&t=67s

O momento atual me trouxe também reencontros e novas parcerias, como a do relato que segue a continuação...

“Uma vez estava passando pelo calçadão de Curitiba e minha filha de três anos avistou um mímico que brincava com seu cachorrinho imaginário. Ela me disse: - Mãe, a corda parece de verdade”. Essas foram às palavras de Inecê, lembrando como me conheceu, acho que no ano de 1988, se não me falha a memória. Na época eu era realmente “andarilho”. O certo é que o tempo passou e muitas águas rolaram desde aquele primeiro encontro. Juro que não a reconheci quando me achou  no facebook

Fala daqui, fala de lá e, segundo ela, a minha passagem na cidade acabou gerando inquietude em várias pessoas que começaram sair “brincar” nas ruas depois de ter conhecido meu trabalho. Hoje, Inecê tem uma companhia de teatro Lambe Lambe que realiza periodicamente um festival de teatro de rua que nesse ano, por causa da pandemia, está acontecendo de forma online. O certo que ela acabou me convidando a participar do festival como “Mímico Andarilho”, num encontro com o universo do teatro Lambe Lambe, apresentando um mini documentário onde entrevisto Ana Piu, artista portuguesa radicada na cidade de Campinas, SP

A Bienal de Teatro Lambe Lambe acontece entre os dias 16 a 22 de Maio de 2021 pelas plataformas do Facebook e Youtube da Bienal.

Links:

https://www.facebook.com/bienal.lambe

https://www.youtube.com/results?search_query=bienal+de+teatro+lambe+lambe

 

 




 

 

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

À espera da Vacina...

 Visto da rua o prédio não parecia tão grande. Ninguém daria nada por ele. É verdade que se viam as filas das janelas até o quarto andar. Talvez fosse a tinta desbotada que tirasse a impressão de enormidade. Parecia um velho sobrado como os outros, apertado na ladeira do Pelourinho, colonial, ostentando azulejos raros. Porém era imenso. Quatro andares, um sótão, um cortiço nos fundos, a venda do Fernandes na frente, e atrás do cortiço uma padaria árabe clandestina, cento e dezesseis quartos, mais de seiscentas pessoas. Um mundo, um mundo fétido, sem higiene e sem moral, com ratos, palavrões e gente. Operários, soldados, árabes de fala arrevesada, mascates, ladrões, prostitutas, costureiras, carregadores, gente de todas as cores, de todos os lugares, com todos os trajes, enchiam o sobrado. Bebiam cachaça na venda do Fernandes e cuspiam na escada, onde por vezes mijavam. Os únicos inquilinos gratuitos eram os ratos.

(Trecho do romance "Suor", de Jorge Amado, que retrata a vida nos cortiços de Salvador na década dos anos '30).

Já imaginou um lugar assim no meio de uma pandemia como a que estamos vivendo há tantos meses?  Como as pessoas pobres conseguem se isolar tomando em conta a arquitetura das favelas, a falta de higiene e de saneamento básico?

Como você pode pedir aos trabalhadores que enfrentam ônibus ou trens lotados todos os dias para ir ao serviço que mantenham distanciamento social? 

"O brasileiro pula no esgoto e não acontece nada", falas desse tipo e os piores exemplos dados pelo nosso presidente fizeram com que as pessoas simples encarassem a doença e a morte como fatos comuns. "Morrer tudo mundo vai mesmo..."

Sete cestas básicas, umas pequenas e outras enormes, ajuda financeira de amigos, bolsa de aulas de yoga, auxílio emergencial do governo promulgado pelo congresso nacional e apoio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que faz a função de Secretaria de Cultura da cidade onde moro, São José dos Campos, SP. Uma leitura dramática e a apresentação dos meus espetáculos via internet. "Artista de rua online". Ter a sorte de morar sozinho e em casa ter um pedacinho de terra para plantar. Alimentar-se em grande parte da própria colheita.

Finalmente, a lei emergencial para trabalhadores da cultura Aldir Blanc, que chega em boa hora para dar suporte enquanto aguardamos a tão esperada vacina. Três semanas ensaiando o meu espetáculo, "Na Rua, as Peripécias do Mímico Andarilho", adaptado à pandemia, que foi filmado num estúdio por causa do novo surto da doença. O importante é que conseguimos fazer um registro em que apresento um verdadeiro "andarilho". Um artista, morador de rua, isolado no seu habitat natural. Na história, concentrada em três metros de largura de palco, através do meu palhaço "mendigo", inspirado no personagem "Cabaça", do romance de Jorge Amado apresentado acima, tento expressar os fatos marcantes desse ano de 2020 que está se encerrando.

Cabaça mora debaixo da escada do cortiço a que se refere o romance e tem um ratinho de estimação. O personagem da peça não tem endereço fixo e, na trama, estabelece-se no cruzamento da "Rua da Tristeza" com a "Rua da Alegria". Ele tem como mascote um ratinho de corda que carrega no bolso do seu fraque.


Foto de Paulo Amaral


terça-feira, 26 de maio de 2020

Andarilho fica em casa


E agora, quando finalmente eu ia virar Mímico Andarilho, fui obrigado a ficar em casa por causa da “Pandemoníaca”. Pan porque afeta o mundo todo e demoníaca pela forma irresponsável como está sendo encarada pelo governo federal. Tristeza que dá raiva e raiva que dá tristeza. Banalização da morte por motivos políticos e econômicos. Não dá para deixar de reconhecer o esforço de governadores, prefeitos e profissionais da saúde, que tentam fazer o melhor que podem num jogo de desinformação articulado por quem está na presidência.

 Agora, fico em casa, mas depois eu vou, viro Andarilho como no começo, lá para meados da década dos anos ’80, quando ia de cidade em cidade, apresentando meu teatro mambembe. Vou carregando uma mínima quantidade de objetos, a mala do espetáculo, o lampião com cruzamento de ruas, figurino, maquiagem e uns poucos apetrechos de uso pessoal.


Vou, mas mantenho como porto entre minhas viagens, alugada, a casinha onde moro há mais de onze anos, assim como à inscrição dos meus espetáculos nos editais da Fundação Cultural, em São José dos Campos.

Curioso tem sido como o meu trabalho na cidade turística de Campos do Jordão, onde “brinco” há mais de duas décadas, foi deixando de rolar com a mudança de infraestrutura até culminar nessa pandemia. A natureza tão revoltada como meu ânimo ante a falta de sentido.

Depois eu vou...
Por agora, enquanto fico em casa, o tempo passa tão depressa que fica difícil de amarrar. Tantas coisas a serem feitas, estudar, treinar, ler, escrever e mexer no meu quintal.

Vou matutando, mexendo, remexendo; do barro aos versos do seu Manoel...

- “Para ser escravo da natureza o homem precisa de ser independente”.
- “Só o silêncio faz rumor no voo das borboletas”.
- “A voz de um passarinho me recita”.
- “Lagartixas piscam para as moscas antes de havê-las”.
- “Em casa de pobre as mariposas preferem fremir peladas”.
- “Cachorro quando vê lesma gosmilha”.
- “Formiga não tem dor nas costas”.
- “Dentro da mata no entardecer o canto dos pássaros é sinfônico”.

Caderno de Andarilho - Manoel de Barros.






quarta-feira, 29 de abril de 2020

"O Apelo da Selva"


Buck era um cachorro de grande porte que morava numa fazenda de uma família de classe média alta, que o tratava como um rei, até que um dia fora raptado e levado à força para puxar trenós na região gelada do Vale do Rio Klondike, no Canadá, onde os homens se aventuravam à procura de ouro no final do século XIX.

O certo é que Buck deixou o meio “civilizado” em que nasceu e se criou para enfrentar todo tipo de adversidades num meio desconhecido. Começava assim a sua luta pela sobrevivência, na qual teve que brigar para ganhar o seu espaço, matar para não ser morto, ter atitude; impor. A sua vida deu um giro de trezentos e sessenta graus e ele virou puro instinto. Nessa dura aventura em terras geladas, passou pelos cuidados de vários donos, até encontrar um homem que o tratava realmente com carinho.

Mas Buck ouvia o clamor da selva, que o chamava para si através do uivado dos seus ancestrais, os lobos. E quando seu dono, último elo civilizatório, veio falecer, ele se juntou aos seus pares, voltando às suas origens.
  
Li esse livro, que no Brasil tem tradução de Monteiro Lobato, há um bom tempo, a pedido de um amigo “conselheiro” que vislumbrava a minha busca como ser humano e artista.

Vem-me essa história à cabeça nesse momento inusual que estamos passando. De repente tudo parou e fomos obrigados a ficar dentro de casa, isolados uns dos outros. Vejo pessoas ficando desesperadas, com tédio, sem saber o que fazer. O bom é que o fato de não poder sair nos obriga a olhar para nós mesmos.
O isolamento, a quarentena, leva-nos a fazer uma viagem interna, a mergulharmos no nosso interior e nos deparamos com a nossa história. Lembramo-nos da infância, das primeiras impressões que tivemos das coisas, as sensações, os cheiros, os sabores...
O universo mágico da brincadeira da criança. Nascemos puros e livres de conceitos e aprendemos através da nossa experiência de troca com o meio, influenciada pela educação que recebemos.

Em tempos de calamidade pública como este é que a gente se questiona sobre temas tais como: “O que é que a gente realmente precisa para viver?”.

Estamos fazendo parte de uma história tirada de um livro de ficção científica. A natureza se vingando dos maus tratos recebidos por parte do ser humano, através de um vírus que foi gerado por ele próprio. O planeta agradecendo pelo intervalo da máquina de produção e consumo. Rios e ar despoluindo e animais tomando conta da “selva de cimento”, agora inabitada, em tempos de isolamento.

A história de Jack London remete ao modo de vida dos povos indígenas que constroem suas malocas e vivem do cultivo, da caça, da pesca e se curam com o uso de plantas medicinais. Vale lembrar que várias doenças foram levadas para as tribos indígenas isoladas por meio do homem “civilizado”.

No começo da revolução industrial, as coisas eram feitas para durar. Hoje, apesar dos avanços tecnológicos, tudo virou descartável. O Brasil, de industrial tornou-se importador e pouco produtor. Vivemos na era do capital improdutivo, em que dinheiro gera dinheiro.

Quem sabe esse momento seja bom para pensarmos na possibilidade de mudança tanto no plano individual como no coletivo. Quem sabe essa crise sensibilize nossos governantes a investir em educação, em incentivo à pesquisa, à ciência, tecnologia e produção industrial própria para termos realmente “Ordem e Progresso” como nação.

Por enquanto, como simples artista de rua, fico com a mensagem tirada do cachorro Buck, que se deixou levar pelo seu instinto e dever comunitário.

APP -  Altos da Vila Paiva - SJC - SP









quinta-feira, 5 de março de 2020

“Ingênuo”


Entre a tristeza e a alegria, entre o medo e a fé, perambula meu sorriso de palhaço. Vou para rua impulsionado por uma louca emoção infantil. Sou ingênuo, acredito na bondade alheia...

Encarar o trabalho no sentido social onde, às vezes, é mais importante o diálogo com as pessoas do que a estética propriamente dita. Se doar, assim como fez o Príncipe Feliz do conto do Escritor Irlandês Oscar Wilde que é o personagem principal da história que apresentamos dentro do projeto “Dois Brincantes e o Príncipe Feliz na Praça do Bairro” ao longo do segundo semestre de 2019, quando contamos com o financiamento do Fundo Municipal de Cultura da cidade de São José dos Campos. O teatro popular no Brasil sempre se caracterizou por refletir a realidade das pessoas mais necessitadas. No meu caso não é só isso, já que quando vou para rua com “a cara e a coragem” acabo levando essa linguagem simples, "ingênua, para todas as camadas sociais. Ainda continuo me apresentando na cidade turística de Campos do Jordão como há vinte e cinco anos atrás, mesmo sem apoio. O que me faz continuar subindo a serra, como fiz no último feriado de carnaval, é a convivência com as pessoas que frequentam a cidade e me conhecem desde longa data, com as quais tenho um trato “humano”.

Cito o exemplo de uma menina de seis anos de idade, há qual “animei” seu aniversário de um ano, que me surpreendeu com seu abraço ou o de um grupo de turistas da cidade de Recife que há oito anos passa o carnaval em Campos e fica feliz quando me vê. Um casal tira uma foto de lembrança comigo enquanto me pergunta se sou italiano. A simpática garota novinha que trabalha na frente de um restaurante recebendo os fregueses me disse em tom animador que quando estou presente na rua é bem melhor, já que a arte, apesar de nem sempre ser valorizada, é muito importante na vida das pessoas. Aliás, os funcionários dos restaurantes em geral, na sua maioria jovens, me tratam com verdadeiro carinho. O melhor momento do carnaval, sem duvida, foi no Domingo de manhã, quando sentei no palco vazio da concha acústica da praça de Capivari caracterizado de palhaço, na saída da missa, e tirei da minha pequena mala a estante e a pasta com partituras, para tocar o repertório de música popular que pratico durante horas na minha flauta transversal, acompanhado pelas bases de play back amplificadas pela caixinha de som presa à minha cintura. No fim tinha uma galera sentada ao meu lado, assistindo e batendo palmas a cada música. A acústica do local envolve a praça inteira. O show acabou com um dinheiro razoável na minha caneca de papelão e um casal de turistas que me conhece há anos tirando foto comigo orgulhosos de saber que toco um instrumento.

Coincidentemente a última música que toquei foi o “Ingênuo”, cancão de autoria de Pixinguinha e Benedito Lacerda.

"Eu fui ingênuo porque acreditei no amor. Mas, pelo menos, jamais me entreguei à dor..."






segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Mímico Andarilho


“Ah, viver é tão desconfortável. Tudo aperta, o corpo exige, o espírito não para, viver parece ter sono e não poder dormir – viver e incômodo.
Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito...”
(Água Viva – Clarice Lispector)

Escolhi subir a serra para realizar meu trabalho de interação direta com público no último final de semana do ano.

Apesar de não estar dando lucros faz tempo, a brincadeira livre nas ruas de Campos do Jordão continua oferecendo momentos únicos de magia para algumas pessoas, pelo geral para as crianças e para mim. Lembro-me de umas cenas que aconteceram quando, chegando de bicicleta na Praça do Capivari, me detive para conversar com crianças pequenas. Vendo passar um mini carro conversível desses de brinquedo de aluguel com um senhor empurrando três crianças me agacho e vejo que dentre elas duas são meninos japonesinhos. Falo para um deles: - “Abre o olho”. Ao que o outro japonesinho responde: - “É que tanto chineses como japoneses tem os olhos puxados”. Eu retruco dizendo: "Eu sou japonês e não tenho olhos puxados".

Depois, outro menino pequeno vem falar comigo com uma voz super aguda e eu fico imitando-o dizendo: "Fala com voz normal!”. Ele continua falando e eu, buzinando, comparo o som agudo da sua voz com o barulho da buzina da minha bicicleta...

Já na frente do badalado restaurante Baden Baden, uma outra criança sentada a mesa junto com sua numerosa família fica fazendo caretas para mim em tom de desafio, e eu, aceitando suas provocações, respondo a altura com palhaçadas. Ela abre gargalhadas enormes enquanto da cotovelada na turma em volta dizendo: “Olha o que ele faz...”.

O melhor foi quando em determinado momento, no meio da muvuca, me comuniquei com um menino das mesas com o olhar enquanto brincava de fazer de conta que meu movimento estava sendo conduzido ora pelo meu nariz de palhaço, ora pela minha mão enluvada. Truques de mímico-palhaço...


Espetáculo de viagem


“Na Rua, As Peripécias do Mímico Andarilho”.


O objetivo principal de 2020 que é o de ter uma estrutura para diferentes tipo de espaço parece estar bem encaminhado. O ano está acabando e tenho conseguido apresentar o espetáculo de um jeito formal no último dia 03 de dezembro como fechamento das oficinas de circo pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, em São José dos Campos e apresentarei no próximo dia 05 de Janeiro, como atividade de férias, no Museu Felícia Leirner, em Campos do Jordão.

A ideia é viajar para diferentes regiões do Brasil, a começar pelo estado de Minas Gerais, visitando cidades menores, apresentando o espetáculo tanto de um jeito formal em espaços fechados como indo “brincar” espontaneamente com o personagem nas ruas. Assim foi no começo do trabalho, lá para década dos anos ’80, quando viajava com uma estrutura simples que era apresentada tanto em praças como dentro das escolas ou teatros.  Estou com um repertório de música popular com bases de play back de qualidade que são tocados na minha caixinha de som amplificada que vai presa à cintura. Tenho treinado tocar flauta em espaço aberto sem o uso do microfone.

Mímico Andarilho na Região Noroeste do estado de São Paulo pelo SESC



terça-feira, 26 de novembro de 2019

De volta à Vila Maria...


Sexto bairro a ser atendido pelo projeto “Dois Brincantes e o Príncipe Feliz na Praça do bairro”, nessa semana estivemos na Vila Maria e nos concentramos na Praça Nenê Cursino, local da apresentação de nosso espetáculo. Lá fica a UBS, na qual fui atendido tantas vezes quando fui morador do bairro, e o Centro Esportivo, assim como ainda sobrevive a banca de jornal do Silvio e ele próprio, uns onze anos mais velho. Da última vez que nos encontramos ele me ajudou a divulgar meu espetáculo pelo projeto "Show na Praça" em 2008. Silvio tem alguns problemas de saúde como deficiência auditiva. Aos gritos expus nosso projeto, e ele, por sua vez, como ha onze anos atrás, se prontificou para apoiar a ideia dizendo - “Isso ai tem que acontecer todos os dias. Pena que aqui só dá bebum”. Também me contou que entre as modificações que houve na praça, que hoje conta inclusive até com “academia ao ar livre”, se arrepende de ter solicitado para a prefeitura a instalação de um quiosque e banquinhos de cimento, já que isso provocou o ajuntamento de pessoas em vulnerabilidade social...

Estamos em fase final do projeto, restando apenas duas apresentações oficiais, contando com essa da Vila Maria, e duas de “contra partida”, que faremos de graça, uma no centro, de noite, no período natalino, em local em que se concentram vários moradores de rua da cidade e a outra no litigioso bairro do banhado, para a população que resiste em sair de lá.

Comunicar com sutileza. Distanciar-me das pessoas para criar diálogo, em tempo de preconceito e intolerância. Tratar os outros do mesmo jeito carinhoso que gosto de ser tratado. Isso é o que tenho experimentado...


A "Burrinha" que tantas vezes alegrou a população do bairro
Para a realização do projeto já quase no final do ano estamos tendo que enfrentar as dificuldades do clima com o sol forte e a possibilidade de chuva devido à época. No caso da praça Nenê Cursino especificamente também existe a adequação da apresentação aos espaços reduzidos, à acomodação do público na hora da apresentação, o preconceito por parte dos moradores do bairro devido aos frequentadores da praça, etc.

Foram vários dias de divulgação nas ruas e no comercio, dentro da escola junto aos alunos, no centro esportivo e na UBS do bairro, em que conversei com as pessoas, colei cartazes, realizei intervenções teatrais, entreguei flayers, etc.

Tocando chorinhos dentro das sala de aula da escola

No dia da apresentação, marcada para começar às 10:30 horas, a nossa equipe chegou na praça antes das 09:00 da manhã. Terminamos de montar o cenário e André deixou o som ligado a partir das 09:30. Junto a Silvia entregamos flayers para os transeuntes e anunciamos no microfone a atividade a ser desenvolvida.
Começamos o espetáculo de forma expansiva na hora marcada, enquanto o público ia chegando ao local. As pessoas foram se acomodando nos bancos do quiosque e na grama em volta. Teve carrinho de pipoca e de picolé, de trabalhadores autônomos que foram convidados por Silvio, para colorir o evento.
Apesar da gente só ter conseguido reunir um pouco mais de trinta pessoas, a apresentação fluiu naturalmente com o público presente participando o tempo todo. No fim nos apresentamos, falamos sobre o projeto e da importância da arte no cotidiano do bairro. Agradecemos os apoiadores e, entre eles, especialmente ao Silvio, peça fundamental para o êxito da nossa empreitada.


Adequação aos espaço que a praça nos oferece

Apresentação "iluminada" de nosso espetáculo